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Correio da Manhã

Portugal
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Família assistiu a morte

As lágrimas de Rosa Vicente tolhem-lhe a voz. Passaram poucas horas desde que viu o marido ser morto, por um grupo de ciganos, à paulada e à facada, no centro da Baixa da Banheira, Moita. E tudo por causa de uma discussão de trânsito. “Ele foi assassinado por tentar proteger a família”, recorda a viúva de Artur Vicente, a vítima do crime.
24 de Julho de 2005 às 00:00
O ambiente era ontem de dor na casa da família de Rosa Vicente. Poucas horas depois de ter assistido ao bárbaro assassinato do marido, a viúva de Artur Vicente espera agora por justiça
O ambiente era ontem de dor na casa da família de Rosa Vicente. Poucas horas depois de ter assistido ao bárbaro assassinato do marido, a viúva de Artur Vicente espera agora por justiça FOTO: Pedro Catarino
Depois de passarem a noite de sexta-feira no bar de um amigo, a assistirem a uma sessão de ‘karaoke’, Artur Vicente, de 37 anos, e a família mais próxima resolveram andar um pouco a pé. “Decidimos ir levar a minha avó a casa, na Rua das Beiras, antes de irmos para a nossa casa, no Vale da Amoreira”, recordou Rosa Vicente.
Aquilo que começou por ser uma caminhada tranquila acabou, no entanto, por redundar em tragédia. Tudo começou com a chegada intempestiva de um Opel Astra, que quase ia atropelando a família de Artur Vicente.
O primeiro a reagir foi o cunhado de Artur, que repreendeu o condutor. De imediato, saiu da viatura um indivíduo, aparentando 25 a 30 anos, de etnia cigana. “Ele nem esperou, e começou logo a insultar toda a gente”, recordou Rosa Vicente.
Artur, que tinha ido acompanhar a avó da sua mulher a casa, apercebeu-se da situação, e não hesitou em intervir.
Com uma intervenção pacificadora, o serralheiro civil tentou saber se havia algum problema. Passava pouco da uma da manhã de sábado, e estas palavras serviram de catalizador para uma espiral de violência.
“O indivíduo entrou de novo no carro, e saiu de lá com um pau para ameaçar o meu marido. O Artur reagiu e os dois trocaram alguns murros, antes de o cigano fugir”, acrescentou.
No entanto, a ausência foi curta. Minutos depois, o indivíduo voltou, na companhia da esposa e de dois outros homens, também eles ciganos. Artur Vicente e a família foram apanhados ainda na Rua das Beiras.
Armado com uma barra de ferro e com várias armas brancas, o grupo começou de imediato a agredir Artur. A violência foi tanta que a esposa e os dois filhos do serralheiro, e os restantes familiares, foram obrigados a procurar abrigo.
Mas, mesmo escondida atrás de um carro, Rosa e os filhos ainda conseguiram assistir à morte lenta de Artur. “Bateram-lhe e esfaquearam-no, pelo menos sete vezes. Antes de fugirem, os indivíduos bateram na nuca do meu marido com a barra de ferro”, explicou Rosa Vicente.
A mulher de Artur ainda tentou ajudá-lo, mas já foi tarde de mais. “Eles desceram a rua a correr, e desapareceram. Ninguém mais os viu”, salientou Carlos Manuel, cunhado da vítima do crime.
Artur Vicente ainda foi transportado, com vida, para o Hospital Garcia de Orta, em Almada. Após três horas de internamento na Unidade de Cuidados Intensivos, o serralheiro, de 37 anos, deu o último suspiro. A PJ de Setúbal investiga o caso.
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