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Correio da Manhã

Portugal
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Família confessa em tribunal ter agredido casal homossexual em Coimbra

Pai, mãe e filho são acusados de ofensa à integridade física qualificada, por terem humilhado e agredido dois homens.
Lusa 14 de Novembro de 2019 às 12:27
Duarte, vítima de agressões em Coimbra
Duarte, vítima de agressões em Coimbra
Duarte, vítima de agressões em Coimbra
Duarte, vítima de agressões em Coimbra
Duarte, vítima de agressões em Coimbra
Duarte, vítima de agressões em Coimbra
Uma família confessou esta quinta-feira em tribunal ter agredido, juntamente com o filho, um casal homossexual em Coimbra, em julho de 2018, e mostrou arrependimento pelo ato praticado.

Pai, mãe e filho são acusados pelo Ministério Público de ofensa à integridade física qualificada, por terem humilhado e agredido em comunhão de esforços dois homens junto do centro comercial Alma, em Coimbra, "devido à orientação sexual" das vítimas, em 14 de julho de 2018.

No começo do julgamento, em que o filho, de 20 anos, não esteve presente (segundo o advogado está a trabalhar em França), os dois arguidos confessaram grande parte da acusação, admitindo que agrediram e insultaram as vítimas depois de os terem visto a dar um beijo na boca.

O pai, de 66 anos, admitiu ter agredido um dos jovens, mostrando-se "arrependido" pelos atos praticados.

Quando questionado pelo advogado de defesa, o arguido referiu que é analfabeto, que não tem acesso a televisão nem a internet e que os pais nunca o ensinaram a aceitar uma relação homossexual.

Já a companheira, de 41 anos, também disse estar arrependida e confirmou grande parte da acusação, negando apenas que tivesse cuspido para a cara de um dos jovens.

"Não estamos habituados a ver isto num local público", disse a arguida, referindo que, se não aceitou bem na altura ver um jovem casal homossexual a dar um beijo, hoje diz que, estando "num país livre, as pessoas podem fazer o que quiserem e podem muito bem".

Questionada sobre se fosse um homem e uma mulher a dar um beijo na rua também teria tido a mesma reação, a arguida disse que não.

Durante a sessão, a mulher referiu ainda que, caso o filho também estivesse no julgamento, confessaria os atos dos quais é acusado.

Uma das vítimas, ouvida no tribunal, referiu que o casal deu apenas um beijo de despedida, à porta da entrada do centro comercial, numa altura em que o seu namorado ia trabalhar.

Nesse momento, já com o namorado dentro do centro comercial, o jovem foi agredido e insultado, enquanto se ouviam as palavras "pedófilos" e "paneleiros", entre outros impropérios.

Quando o namorado veio em seu auxílio, a família atacou o casal, com o pai a bater com um alicate num dos ofendidos, enquanto mãe e filho davam pontapés ao outro.

Durante o julgamento, houve uma ligeira altercação entre o advogado de defesa e a vítima e o presidente do coletivo de juízes, depois de o advogado perguntar se havia crianças por perto quando deram o beijo - com a vítima a contestar a relevância da pergunta.

"Tem de fazer perguntas pertinentes", criticou o juiz, levando a um pedido de desculpas do advogado.

Na sessão, as duas vítimas afirmaram que a agressão levou a uma alteração da relação.

"Antes do acontecimento, éramos um casal normal, dávamos as mãos e beijos na rua. A partir desse momento, isso nunca mais aconteceu. Na rua, tentamos mostrar que não somos um casal e estamos sempre preocupados com quem é que nos está a ver", contou um dos ofendidos.

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