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Correio da Manhã

Portugal
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Família de Diogo processa centro

A família de Diogo Ferreira, o jovem de 21 anos assassinado na noite de 1 de Março no estacionamento do Oeiras Parque, vai interpor uma queixa por negligência contra a empresa gestora do centro comercial.
7 de Abril de 2008 às 00:30
Diogo Ferreira, de 21 anos, foi baleado na cabeça por um assaltante. Morreu quatro dias depois no Hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa
Diogo Ferreira, de 21 anos, foi baleado na cabeça por um assaltante. Morreu quatro dias depois no Hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa FOTO: Vítor Mota

O advogado contratado para avançar com o processo, António Pragal Colaço, diz ao CM que pode estar em causa "negligência, quer na concepção quer no funcionamento de segurança [do Oeiras Parque] que não obedece às regras mínimas". A família só decidiu avançar para já com o processo cível e vai esperar pelos resultados do inquérito da Polícia Judiciária pa-ra decidir se também processará criminalmente o Oeiras Parque.

Diogo Ferreira trabalhava neste centro comercial, em cujo estacionamento foi baleado às 00h30 do dia 1 de Março após ter surpreendido uma suposta tentativa de assalto, a vinte metros. Mais de um mês depois, o caso continua em investigação na Polícia Judiciária, sem haver registo de detenções.

FÉ NA JUDICIÁRIA

"Tenho confiança na Polícia Judiciária e acredito que o caso vai ser desvendado e o assassino encontrado", disse ao CM Carlos Ferreira, pai do jovem baleado cinco horas depois do assassinato de Alexandra Neno, em Sacavém.

No Oeiras Parque – e tal como o nosso jornal noticiou – os lojistas estão indignados com a administração do espaço porque, garantem, as luzes do estacionamento continuam a ser desligadas às 00h15.

'XANA' MORTA COM A MESMA ARMA

As balas que mataram Alexandra Neno, de 32 anos, e Diogo Ferreira, de 21 anos, terão saído da mesma arma, de 6,35 milímetros.Os dois homicídios aconteceram com cinco horas de diferença:o primeiro em Sacavém, ao início da noite de 29 de Fevereiro, e o segundo em Oeiras, às 00h30 do dia 1 de Março.

A Polícia Judiciária aponta para um só atirador e já sabe que na noite dos dois crimes um outro tiro, disparado na zona do Centro Comercial Amoreiras, saiu da mesma arma. As autoridades têm um suspeito identificado, mas apostam tudo na listagem das chamadas dos telemóveis.

"DISCURSO DIRECTO: "PAIS NÃO QUEREM DINHEIRO": António Colaço, advogado da família de Diogo

Correio da Manhã – Quais são osobjectivos desta queixa?

António Colaço – Em primeiro lugar salvaguardar futuros problemas no Oeiras Parque e noutras superfícies comerciais para que situações destas não voltem a acontecer. Por outro lado, pretendemos alertar as entidades responsáveis e a opinião pública.

– Vão pedir uma indemnização? Qual o valor?

– Sim, mas os pais do Diogo não querem dinheiro. O montante, que ainda vai ser determinado, reverterá a favor de uma instituição de solidariedade social.

– Que apreciação faz do trabalho da Polícia Judiciária, tendo em conta que o homicídio do Diogo já ocorreu há mais de um mês ?

– Conheço pessoalmente as pessoas que têm a investigação a seu cargo e são inspectores competentes. Este tipo de casos demora sempre algum tempo a ser investigado. Confio plenamente no trabalho da Polícia Judiciária.

APONTAMENTOS

133 HOMICÍDIOS

Durante o ano de 2007 foram registados em Portugal 133 homicídios, o que representa uma descida em relação a 2006, com 194 casos. De acordo com o Relatório de Segurança Interna, houve também uma descida nos crimes violentos e graves. O furto, a ofensa à integridade física e os crimes rodoviários são os mais registados.

LOJISTAS INDIGNADOS

Os lojistas do Oeiras Parque contactados pelo ‘CM’ manifestaram-se indignados com a administração, garantindo que nada mudou após o homicídio de Diogo. Os trabalhadores, que já pediram a redução do horário de funcionamento do centro, dizem que a segurança não faz rondas no estacionamento.

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