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Correio da Manhã

Portugal
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Família de lontras atrai atenções

Uma família de lontras está a fazer as delícias da população de Caldas de S. Jorge, em Santa Maria da Feira, Aveiro. que desde há três semanas ruma todas as noites às margens do rio Uíma para ver o espectáculo de acrobacia proporcionado pelos novos habitantes.
7 de Junho de 2006 às 00:00
Os animais deixam-se ver entre as 21h00 e as 02h00
Os animais deixam-se ver entre as 21h00 e as 02h00 FOTO: d.r.
Ninguém sabe ao certo quantas são. Os mais deslumbrados admitem ter visto nove lontras, mas a maioria dos relatos fala em três ou quatro.
“Aparentemente é uma mãe com três filhos”, garantiu ao CM Nuno Gomes, do Centro de Investigação Planeta Vivo, que já visitou o local. Explicando que o fenómeno não é tão estranho como se podia pensar, uma vez que Portugal é dos sítios que tem mais lontras, o biólogo adiantou ainda que o rio Uíma tem excelentes condições para os animais, porque tem peixe e abrigo.
No entanto, Nuno Gomes acaba com o sonho da população, assegurando que os animais deverão dispersar-se no final no ano. Até lá, a Junta de Freguesia de Caldas de S. Jorge está a fazer tudo para garantir uma boa estadia aos animais: já mandou limpar o rio e está a vigiar a zona.
Alguns cidadãos estão também preocupados com a segurança dos animais: é caso de Ângelo Cardoso que já apelou à população para avisar a GNR no caso de serem detectados caçadores furtivos. A mais recente atracção de Caldas de S. Jorge é de borla e pode ser vista entre as 21h00 e as 02h00 da manhã.
PROCURAM REFÚGIO EM PORTUGAL
Portugal é um dos países da Europa onde as lontras – uma espécie de mamífero mustelídeo que está ameaçado no continente – são mais abundantes.
“Desapareceram de Itália, Bélgica e Holanda e estão em recuperação em França, Espanha e na Alemanha”, explicou ao CM Nuno Gomes, do Centro Planeta Vivo. O biólogo garante que o nosso país constitui uma excepção na Europa, explicando que apesar de se tratarem de animais de rio, nas costas alentejana e algarvia as lontras arriscam-se a procurar alimento no mar. Pelo contrário, a zona da Estremadura é onde menos aparecem estes animais, que pertencem à família das doninhas e das martas.
O facto de não ter havido grandes alterações nos rios portugueses é, segundo Nuno Gomes, um dos principais motivos que leva Portugal a ser um dos locais mais abundantes em lontras. O biólogo considera que a poluição e a caça furtiva estão, por outro lado, na origem da extinção dos animais em outros países europeus.
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