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Correio da Manhã

Portugal
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Família de presidente domina Fundação 'O Século'

Investiga-se abuso de poder e peculato. Há suspeitas de uso de dinheiro.
Tânia Laranjo 5 de Janeiro de 2018 às 01:30
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Investiga-se abuso de poder e peculato. Há suspeitas de uso de dinheiro.
Emanuel Martins, presidente da Fundação ‘O Século’, no Estoril, agora sob investigação da Polícia Judiciária, ‘dá’ emprego a vários familiares. É presidente do Conselho de Administração e diretor executivo; a sua filha foi, até há poucos meses, chefe de gabinete; o diretor-geral é o enteado; outro enteado está à frente da manutenção; e o responsável pelo armazém é o seu filho. Há ainda lugar para a nora: é responsável do ‘take-away’ que se situa no edifício. Outra nora é nutricionista e quem chefia a equipa de limpezas é a mulher.

Esta é uma das denúncias que levou ontem a Judiciária a fazer buscas à Fundação que apoia crianças desfavorecidas e que recebe milhares anualmente do Estado. Emanuel Martins, que falou com o CM, confirmou apenas que a filha trabalhou na instituição. "Ganhava 800 euros e o que sei é que sem estes familiares ninguém aceitava, por exemplo, trabalhar ao fim de semana ou fora de horas". O CM ainda tentou através de um responsável da instituição confrontar Emanuel Martins com o emprego dado a outros familiares. Mas o diretor, que primeiro aceitou falar, mostrou-se indisponível quando o CM teve acesso a mais pormenores da denúncia.

Além do crime de abuso de poder, está ainda em causa o crime de peculato. A denúncia que chegou à PJ fala também do uso de cartões de crédito da Fundação para fins particulares. Aponta o dedo ao presidente e ao ‘vice’. "Garanto que nunca usei dinheiro da instituição em meu proveito", assegura Emanuel Martins, que diz estar de consciência tranquila.

Filho de ‘vice’
Pelo menos um filho do vice-presidente, João Ferreirinho, também trabalha na instituição. A PJ pediu ontem cópia de pelo menos 18 contratos de trabalho que agora serão analisados pela Justiça.

Câmara reage
A Câmara de Lisboa reagiu às críticas feitas entretanto pelo presidente que aproveitou a investigação para acusar a autarquia de Lisboa de ter cortado os apoios. A Câmara diz que é mentira.

Ordenados
Há poucos mais de um ano, a gestão da Fundação foi posta em causa. Havia ordenados em atraso e a direção acusava o Estado de estar em falta. Nessa altura, chegaram as primeiras denúncias.
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