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Correio da Manhã

Portugal
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FAMÍLIA DESESPERA POR VÂNIA

Uma jovem de 22 anos, residente em Monte Agudo, Ortigosa (Leiria), está desaparecida há uma semana, aumentando a cada dia que passa o desespero dos seus familiares e amigos, que a procuram por todo o lado.
28 de Outubro de 2002 às 00:37
Vânia Marisa Pereira Esperança, finalista do curso superior de Ciências de Educação, saiu de casa na segunda-feira da semana passada, às 15 horas, para ir à Câmara Municipal de Leiria, onde deveria fazer o estágio de fim de curso, mas nunca lá chegou e não mais foi vista.

Ao final do dia o telemóvel foi desligado e não voltou a contactar a família, o namorado ou qualquer amigo. “Não consigo encontrar uma explicação. Ela saiu para ir à câmara, não levou nada e até o casaco deixou em cima da cama”, disse a mãe, Palmira Esperança.

Alerta nacional

O desaparecimento de Vânia foi comunicado na terça-feira à GNR de Leiria, que lançou um alerta a nível nacional com a foto da jovem e a matrícula do carro que conduzia, um Opel Corsa branco, comercial, matrícula UC-98-21, que ainda não foi encontrado.

A sua conta bancária não registou até agora qualquer movimento.

Segundo Palmira Esperança, a jovem saiu de casa “bem disposta” e disse que ia à câmara ver se já tinha chegado uma carta de recomendação do professor que está a orientar o estágio. “Estava tudo a decorrer bem, conforme ela queria”.

A família coloca de parte a hipótese de Vânia ter decidido sair de casa, pois ela é “muito frontal, diz o que tem a dizer” e “sempre avisou quando chegava mais tarde” que o previsto.

A relação com o namorado, residente em Lisboa, “não estaria bem, mas eram só uns arrufos banais e normais que não levariam a extremo algum”, apontou.

A preocupação de Palmira Esperança aumenta a cada dia, pois a filha está ainda a recuperar de uma depressão que sofreu há três anos e precisa de tomar medicamentos que deixou em casa.

Aliás, o “historial médico de depressão” leva a família de Vânia a interrogar-se sobre “o que terá feito a si própria. Se ela se desesperou e deu cabo da vida, só pode ser por medo”, contou Palmira Esperança.

As matas e os caminhos mais recônditos da região estão a ser percorridos de forma intensa pela família e pelos amigos de Monte Agudo, enquanto na zona de Lisboa as buscas estão a cargo do namorado e dos seus colegas de faculdade.

É calma e ‘certinha’

A mãe de Vânia considera-a uma jovem “muito calma” e “certinha”, pois quando se atrasava a chegar a casa tinha “o cuidado de telefonar a avisar, dizendo sempre quanto tempo ia demorar e com quem estava”.

O seu estranho desaparecimento torna-se por isso mais difícil de explicar e ao fim de uma semana de espera, Palmira Esperança admite “todas as hipóteses”.

“Estamos todos preocupados e mesmo os amigos de Lisboa que ela já não contacta há algum tempo andam à procura dela, percorrendo os locais onde sabiam que a Vânia gostava de ir”, contou a mãe.

Quando foi estudar para a Faculdade de Psicologia e Ciências de Educação, Vânia ficou a viver em Lisboa e só voltou para casa dos pais depois de sofrer a depressão.

Segundo Palmira Esperança, a depressão terá sido motivada pelo “esforço dos estudos”, associado às “saudades da família e à solidão”.
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