Mais de 11 anos após as enxurradas do estado de Vargas, na Venezuela, a luso-descendente Carla Ures acredita ter reencontrado a família e os irmãos que julgava terem morrido na localidade de Carmem de Úria.
Uma semana depois de a mãe, a madeirense Lucinda Nunes, ter conseguido localizá-la através do Facebook, Carla Ures, hoje com 21 anos, aguarda os testes ADN que confirmarão o reencontro.
Carla confessa-se feliz, mas não consegue habituar-se a que lhe chamem Angely Sofia Nunes, o seu nome de baptismo. Da tragédia e da vida que dantes levava, pouco se lembra. Recorda-se que depois do desastre esteve com uma senhora a quem "não chamava mamã" e por causa disso suspeita ter sido abandonada. Carla Ures não é capaz de identificar a senhora. Recorda-se apenas que um dia ninguém a foi buscar ao colégio e que, depois disso, um polícia a levou para um lar. "Cheguei envergonhada, de olhar cabisbaixo, porque não sabia como me chamava." Disseram-lhe que se chamava Carla e que a sua família tinha morrido. Acabou por fugir com uma amiga. "Algumas vezes dormi nas ruas [de Caracas], passei fome, mas rezava para que não me acontecesse nada, porque estava num bairro horrível. Consegui uma amiga que me deu uma mão para ficar na sua casa."
Quando viveu na rua, Carla apaixonou--se por um rapaz e engravidou. "Ele negou [ser o pai], tive de enfrentar toda a família que dizia que o bebé não era dele e tive de ir embora." Foram freiras que a ajudaram e a levaram para um novo lar, onde permaneceu até há poucos dias. Com um bebé de dois anos, chegou a ir ao tribunal pedir ajuda para saber da sua família. Como gosta de se manter actualizada, criou uma página no Facebook e recentemente foi contactada por Carlos Ferreira, a partir do Funchal, que lhe explicou que tinha uma irmã à procura de uma filha desaparecida em Vargas. "Fiquei em choque, nervosa", conta Carla, que aceitou conhecer a "mãe desesperada", sem saber que Lucinda já estava a caminho de Caracas para a ver fazendo-se passar por elemento de uma congregação que organizou uma festa no lar e lhe trazia um presente. "Quando a vi pela primeira vez fiquei nervosa, baixou-me a tensão. Pensava que era uma convidada, mas notei que olhava muito para mim. Quase no fim da festa soube com quem tinha falado, nem pude agradecer-lhe os presentes. Tiveram de levar-me à enfermaria."
UMA CRUZADA COM SUCESSO
Lucinda Nunes quer que o mundo saiba a felicidade que sente, recompensada pela persistência à procura de ‘Angy’. "Tudo aconteceu tão rápido que parece que estou a sonhar." A cruzada à procura de Angely começou logo após a tragédia, em Dezembro de 1999. Três meses após as enxurradas, Lucinda julgou ver a filha na televisão. As pistas conduziram até uma professora, que aparentemente detinha a posse da criança, mas que teria familiares militares que alegadamente dificultavam o reencontro.
Lucinda pediu apoio ao Governo português e em Outubro de 2001 viajou para a Madeira, onde se encontrava de visita o presidente Hugo Chávez, a quem pediu apoio.
A polícia venezuelana intensificou as investigações, mas ‘Angy’, agora com o nome de Carla Ures, só foi encontrada pelo Facebook.
FÃ DE CR7 QUER CONHECER A MADEIRA
Longe de imaginar, até há poucos dias, que é filha de madeirenses, Carla Ures sabe de Portugal apenas o que ouviu: "Um país muito bonito e que tem os melhores jogadores de futebol." Sabe quem são Figo e Cristiano Ronaldo e até tem uma foto do número sete do Real Madrid no Facebook, que exibe com orgulho. Mais de 11 anos após ter sido dada como desaparecida nas enxurradas do estado de Vargas, descreve o reencontro com o pai, José Vieira, e com os irmãos como "impactante". Tanto ela como o pai ficaram sem palavras
e hoje até têm dificuldade em se aproximar. O irmão mais velho, Victor, é "algo fechado", e por isso "precisa de mais tempo". Trocam muitos SMS. Sérgio, o irmão mais novo, é "envergonhado" e teve de ser Carla a tomar a iniciativa de se apresentar. Enquanto espera poder vir a conhecer a terra dos pais, Carla Ures acredita que o seu futuro está "super bem assegurado", agora que voltou a ter uma família.
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