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Correio da Manhã

Portugal
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FAMÍLIA INTEIRA VÍTIMA DE FORTE PERSEGUIÇÃO

Uma família de Amarante continua a ser alvo de perseguição por parte de Ilídio Pinto, líder da Comissão de Gestão dos bombeiros locais, depois de este ter já dado conta de que as eleições para a Associação Humanitária são inevitáveis, começando desde já a afastar alguns associados "potencialmente incómodos".
30 de Agosto de 2004 às 00:00
A avaliar pelo que estão a passar os Macieira, os bombeiros de Amarante não precisam de novos sócios
A avaliar pelo que estão a passar os Macieira, os bombeiros de Amarante não precisam de novos sócios FOTO: Luís C. Ribeiro
Ana Cristina de Sousa Macieira e a sua cunhada, Marta Isabel Macieira, foram à secretaria dos bombeiros de Amarante para se inscreverem como sócias. "A funcionária preencheu os formulários, que nos deu para assinar, pagámos cinco euros [quantitativo para a inscrição e quotas até ao final do ano de 2004]. Horas depois voltámos, foi-nos entregue o cartão e disseram-nos: 'já são sócias dos bombeiros'".
Algum tempo depois receberam telefonemas a solicitar que fossem devolver os cartões, alegadamente, por terem sido passados devido a um lapso dos serviços: "No dia 24 de Agosto recebemos uma carta registada com aviso de recepção devolvendo a nota de cinco euros, informando que a inscrição tinha de ser admitida em reunião de Direcção".
Já no início de Julho, o CM noticiou que dois bombeiros assalariados foram despedidos por Ilídio Pinto que, na altura, para os afastar pagou-lhes indemnizações superiores ao valor a que teriam direito em caso de despedimento. Os dois bombeiros em causa são irmãos, Carlos e Júlio Macieira, um dos quais tirou fotografias à mulher de Ilídio Pinto quando esta fazia compras usando uma viatura dos bombeiros de Amarante.
"Qualquer pessoa que tenha o apelido Macieira, é motivo para ser proscrita nos bombeiros de Amarante. Arbitrariamente, e sem qualquer legitimidade, destitui- -me a mim e ao meu irmão de sócios, recorremos para a Assembleia-geral e nunca nos foi dada qualquer resposta", explicou Carlos Macieira.
Mais uma vez o CM tentou obter uma explicação de Ilídio Pinto que, mais uma vez também, nunca chegou.
O PREÇO DE NÃO ALINHAR
Nem o facto de ser esposa de um bombeiro poupou Marta Isabel Macieira - a quem foi dado o cartão com o número de sócio 5.581 - da ira de Ilídio Pinto sobre esta família. "Quando a direcção reparou que eu era irmã dos ex-bombeiros Carlos e Júlio Macieira, que tinham sido expulsos por não se calarem perante as injustiças do presidente, trataram-me desta maneira. Voltei a mandar-lhes o dinheiro em carta registada, não devolvo o cartão
pois cumpri todas as formalidades". Também Ana Cristina Macieira, esposa de Carlos, associada 5.580, explicou que se fez sócia para que a sua família usufruísse dos direitos que os bombeiros oferecem aos seus associados. "Em todas as casas é bom haver um sócio dos bombeiros, porque ninguém está livre de precisar de ajuda. Infelizmente, nos bombeiros de Amarante as pessoas não são tratadas da mesma maneira. Quem não alinhar nos jogos do presidente é tratado como um proscrito".
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