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Correio da Manhã

Portugal
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Família perde na instrução

A juíza de instrução do círculo judicial de Portimão decidiu ontem não dar providência no processo de instrução desencadeado pela advogada da viúva do chefe da PSP de Lagos assassinado a tiro de caçadeira, numa barreira de estrada, em Dezembro de 2005.
21 de Abril de 2007 às 00:00
Mário Soares dos Anjos, irmão de Pecas
Mário Soares dos Anjos, irmão de Pecas FOTO: d.r.
A viúva, constituída assistente, pretendia que todos os sete arguidos no processo que estão em prisão preventiva, e não apenas dois – o atirador e o instigador e líder do gang – fossem acusados de homicídio qualificado na forma consumada. Maria da Conceição Martins esteve ontem no Tribunal de Portimão e conseguiu, pela primeira vez, olhar de frente o homem sobre quem recai a suspeita de ser o autor do disparo que a deixou viúva. “Olhei para a cara dele e ele meteu a cabeça para baixo. Senti pena e revolta. Não adianta nada, mas fiquei a conhecê-lo”, disse ao CM, já depois de terminada a audiência, à qual assistiu.
Durante a audiência, a juíza anunciou a sua decisão sobre o debate instrutório da passada segunda-feira, ao qual a viúva não assistiu. Não foi alterada uma vírgula à acusação. “Estou triste. Não é justo”, comentou Maria da Conceição Martins, adiantando não ser provável que recorra da instrução, para não atrasar mais a marcação do julgamento.
Os sete arguidos estão acusados, entre outros crimes, de homicídio qualificado na forma tentada. Dois deles – o líder Pecas e o presumível atirador, Florentino – estão acusados de homicídio qualificado na forma consumada. Cinco dos sete arguidos estiveram ontem em tribunal. Quatro já haviam participado no debate instrutório – Florentino Soares, Mário Soares dos Anjos (irmão de Pecas), Ricardo Jimenez e João António Ramirez – e estão em prisão preventiva em Portugal, três em Lisboa e o quarto em Caxias.
Um quinto arguido – Nélio Roza – foi ontem presente ao Tribunal de Portimão para primeiro interrogatório judicial. É suspeito de ser o sentinela ao assalto e foi-lhe decretada prisão preventiva. Deve voltar a Espanha, onde está a cumprir pena de prisão efectiva por outros crimes. No país vizinho permanecem presos o presumível líder do gang, Augusto Soares dos Anjos (Pecas), em Córdoba, e Ricardo Ramirez.
PAI DE 'PECAS' ACUSA POLÍCIA
À decisão instrutória compareceram familiares dos arguidos, incluindo as mulheres de Ricardo Jimenez e João Ramirez, a mãe de Florentino (segunda a contar da direita na foto) e o pai de Pecas e de Mário, que viajou de Peniche. Inácio Soares, 69 anos de idade, disse que nada sabe de Pecas há 16 meses, mas que falou anteontem com Mário. “Os meus filhos nunca roubaram caixas multibanco. Estão inocentes. O polícia morreu com bala de outro polícia”, disse.
PORMENORES
ESCUSA
A advogada do presumível atirador pediu ontem escusa da defesa alegando incompatibilidade com a representação de um segundo arguido no mesmo processo. A advogada oficiosa arrolada depois pelo tribunal também pondera pedir escusa.
JULGAMENTO
O julgamento já teve data marcada para começar, no início de Março, mas foi entretanto adiado por causa do debate instrutório cuja decisão foi ontem conhecida. A instrução tem agora de transitar em julgado antes que seja anunciada nova data para o início do julgamento. Fontes judiciais dizem que poderá ser marcado para Julho, ou então Setembro.
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