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Correio da Manhã

Portugal

FAMÍLIA QUER BEBÉ DE VOLTA

O bebé de 10 meses entregue pelo Tribunal de Pombal a um centro de acolhimento temporário, em Dezembro, vai continuar longe da família pelo menos até ao próximo dia 14, data em que prosseguirá o debate judicial instrutório iniciado ontem.
7 de Fevereiro de 2003 às 00:00
Os pais do pequeno Alexandre, Paulo Amado e Maria Barreiro, e os responsáveis do centro de acolhimento foram ouvidos durante toda a manhã pela juíza encarregue do processo, que decidiu continuar o debate daqui a oito dias, com a audição de outras testemunhas.
O Alexandre foi internado no Hospital Distrital de Santo André, em Leiria, no dia 14 de Dezembro, na sequência de uma consulta de rotina no Centro de Saúde, em que o médico constatou que estava subnutrido, desidratado e com baixo peso.

Cinco dias depois, o Tribunal de Pombal decidiu entregá-lo ao Centro de Acolhimento Temporário Augusto Henriques, em Vilar, Castanheira de Pêra, o que surpreendeu Paulo Amado, que criticou o facto de “não o terem informado de nada”, conforme noticiou o nosso jornal.

Paulo Amado, que reside em Pombal e tem ao seu cuidado os outros dois filhos, de três e seis anos, reafirmou ontem a sua vontade de recuperar o Alexandre para junto de si e insistiu com a mulher para que “volte para casa”.

AUMENTO DE PESO

Desde que foi entregue ao Centro de Acolhimento, o bebé aumentou o peso (de 7.030 para 8.240 quilos) e teve um desenvolvimento psicomotor assinalável, disseram as responsáveis da instituição que ontem foram ouvidas em Tribunal.

Na opinião daquelas responsáveis, “antes do bebé regressar a casa, a família tem de ser acompanhada para se reestruturar e esse trabalho não se esgota na intervenção” do centro de acolhimento.

Desde que o menino foi entregue à instituição, “só o pai o procurou”, explicaram as nossas interlocutoras.
Paulo Amado reconhece que o filho “está bem, mas deve regressar a casa, para junto dos irmãos, se a mãe também o fizer”, mas Maria Barreiro ainda não se decidiu.

“Estou na dúvida em voltar, não estou disposta a suportar mais violência”, disse Maria Barreiro, contando que o marido começava a discutir e batia-lhe, o que aconteceu “umas quatro ou cinco vezes”. A última vez foi em Agosto e por isso decidiu sair de casa.
Paulo Amado confirmou que lhe bateu “várias vezes”, mas garante “não voltar a tocar-lhe”, porque quer a família unida.
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