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Correio da Manhã

Portugal
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Família quer morte investigada (com vídeo)

Segundo a tese oficial, Maria Fernanda, a primeira mulher de Paco Bandeira, suicidou-se, em casa, há 15 anos, com um tiro na cabeça. Mas os irmãos não acreditam nesta versão – e insistem para que o Ministério Público de Sintra reabra o processo e investigue a morte.
7 de Março de 2012 às 01:00
Francisco e Filomena Castelo estiveram ontem no tribunal de Sintra, onde entregaram o pedido de reabertura do processo, que prescreve a 10 de Março
Francisco e Filomena Castelo estiveram ontem no tribunal de Sintra, onde entregaram o pedido de reabertura do processo, que prescreve a 10 de Março FOTO: Carlos Soares

A quatro dias da prescrição do processo, Francisco Castelo e Filomena Castelo Rodrigues entregaram ontem, no Tribunal de Sintra, um pedido de reabertura do inquérito.

"O que me move é o que me moveu há 15 anos, quando a minha irmã morreu, mas agora estou com mais determinação. Não quero vingança, nem dinheiro, mas sim que a justiça seja feita", diz Francisco Castelo.

A família continua a não acreditar que Maria Fernanda se suicidou, em 1996. E, para Francisco Castelo, há agora novos dados, que foram apresentados ontem.

"Em tribunal, Maria Roseta [ex-mulher de Paco Bandeira, que o acusa de violência doméstica] disse, sob juramento, que a filha do Paco, Conceição, lhe disse que tinha a certeza de que a mãe não se tinha suicidado. Isto foi anexado ao processo, bem como a mensagem que a Conceição enviou para a minha irmã", conta Francisco Castelo.

Os dois irmãos esperam agora que o processo seja reaberto. "Está na altura de os portugueses saberem a verdade. Uma morte não se resume apenas a três folhas de papel. Na altura, foi tudo silenciado, mas eu sempre estranhei a morte da minha irmã. Quero acreditar que há justiça", diz Francisco.

A reabertura do processo não é, no entanto, garantida, como explica ao CM o advogado Rogério Alves: "O inquérito poderá ser aberto se o Ministério Público entender que o que é trazido de novo tem alguma consistência. Pode ouvir as pessoas em causa. Será um juízo face à força do que é apresentado", diz.

Paco Bandeira não comenta o caso. "Não faço a mais leve declaração", disse, alterado.

"DEVIA TER FALADO NA ALTURA. FUI FRACA"

Filomena Castelo Rodrigues é hoje uma mulher inconformada. Não só por não acreditar na tese de suicídio da irmã, mas, sobretudo, pelo silêncio da sobrinha Conceição. "O que motivou a discussão do Paco com a minha irmã, naquele dia, foi um cheque que a São passou. Tirou-o à minha irmã. Ele cancelou as contas da Fernanda e tudo. Ela não tinha dinheiro para nada. E, naquela noite, a minha irmã ligou à São a dizer-lhe: ‘Foge que o teu pai vai-te matar'. Eu ouvi isto no gravador do telefone da minha sobrinha", recorda.

Para Filomena, Conceição podia ter feito mais do que ficar em silêncio. Ainda mais inconformada ficou quando recebeu uma mensagem da sobrinha, dizendo: "Tia, entendo o que sentes em relação ao meu pai. A verdadeira culpada sou eu. Devia ter falado na altura e acobardei-me. Fui fraca."

Tal como o irmão, também Filomena pede que a justiça seja feita, ao final de quase 16 anos, e que a morte de Maria Fernanda tenha uma explicação que não a tese do suicídio.

"Não queremos protagonismo, e ninguém nos devolve a vida da minha irmã, mas, pelo menos, que se faça justiça", afirma Filomena.

Paco Bandeira Julgamento Morte ex-mulher
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