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Correio da Manhã

Portugal
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Família só quer casa

A aldeia de Fonte Arcada, no concelho de Sernancelhe está chocada com uma denúncia anónima que dá conta de um movimento de expulsão contra uma família de etnia cigana naquela localidade. Os autores da denúncia acusam o presidente da Junta e o pároco local de incitarem a população a este acto xenófobo.
21 de Outubro de 2007 às 00:00
José Gaspar, a mulher e um dos seis filhos, no acampamento onde vivem
José Gaspar, a mulher e um dos seis filhos, no acampamento onde vivem FOTO: Sérgio Freitas
Quer o padre quer o autarca desmentem as acusações. Nuno Franklin, o presidente da Junta diz mesmo que são “pessoas pacíficas e ordeiras”.
A alegada autorização para a construção de uma habitação condigna para albergar esta família de 8 pessoas, entre as quais seis crianças, criou algum mau-estar nos fontearcadenses.
“Se podem construir noutra localidade, por que não vão para lá?”, pergunta um grupo de moradores que pediu anonimato. Apesar de não verem com bons olhos a presença daquela comunidade, desmentem a existência de “qualquer movimento para os expulsar”.
Nuno Franklin acredita que, “há claramente uma finalidade de desestabilização da paz e do bom-nome das pessoas que trabalham para o bem-estar da comunidade, com este tipo de acusações infundadas”.
“Seria desumano expulsar gente que já vive com tantas dificuldades”, frisa o presidente da Junta.
O autarca confirma que existe uma acção em tribunal para anular o registo de propriedade de 250 m2 de baldios, onde essa família pretende construir, mas diz que isso “é para não abrir precedentes de ocupação indevida de baldios”.
Quem também se mostra indignado com as acusações é o pároco. “Esta história foi inventada por pessoas sem qualquer humanidade, autênticos selvagens”, acusa o padre Diamantino José, titular da paróquia de Fonte Arcada há mais de uma década.
Quanto à família cigana diz que “são pessoas educadas, crentes e que apesar da extrema pobreza nunca roubaram ou estiveram envolvidas em qualquer problema”.
José Gaspar, que vive com a mulher e seis filhos em condições miseráveis, diz que não acredita nas acusações que fazem ao padre, mas mostra-se muito apreensivo.
“Nós já cá estamos há mais de 30 anos e só queremos uma casa digna. Estas coisas que por aí se dizem não são agradáveis”, confessa.
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