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Correio da Manhã

Portugal
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Famílias agradecem carinho popular

No dia em que se assinalou o sexto aniversário do colapso da ponte Hintze Ribeiro, que ligava Castelo de Paiva a Entre-os-Rios, os familiares das vítimas agradeceram o apoio e incentivo que vêm recebendo, desde entidades públicas a simples pessoas anónimas.
5 de Março de 2007 às 00:00
Familiares e pessoas anónimas prestaram homenagem às vítimas da ponte
Familiares e pessoas anónimas prestaram homenagem às vítimas da ponte FOTO: Ricardo Estudante
Um exemplo do carinho e consideração que estas famílias têm recebido foi ontem manifestado por centenas de pessoas que se deslocaram ao monumento ‘Anjo de Portugal’, erguido na margem esquerda do Douro para homenagear as 59 vítimas do desastre. Excursões vindas propositadamente ou desviadas do percurso turístico das Amendoeiras em Flor pararam para depor flores e acender velas ao longo de todo o dia.
“Estamos emocionados com os gestos de tantas pessoas que podiam perfeitamente estar noutro sítio qualquer a passar o seu domingo, mas optaram por vir aqui e deixar-nos uma palavra de alento. Isso é muito importante para todos e dá-nos força para continuar em frente”, confessou ao CM Horácio Moreira, presidente da Associação de Familiares.
Num dia carregado de emoções, em que as recordações dolorosas foram forçosamente repetidas até à exaustão, muitos familiares optaram por participar apenas na missa solene, de manhã. A Igreja Matriz de Raiva – a freguesia mais afectada pela tragédia – esteve completamente cheia.
À tarde, a associação organizou uma homenagem aos Bombeiros de Castelo de Paiva, num auditório da vila, onde Horácio Moreira aproveitou para lembrar, mais uma vez, a questão do processo-crime da ponte.
O representante das famílias considerou que houve “imensos bloqueios” no apuramento de responsabilidades e chegou mesmo a afirmar que “parece que o processo nasceu destinado a proteger algumas pessoas”. Horácio Moreira espera que “alguma justiça se faça” através do processo cível que a associação vai mover ao Estado, em que vai pedir uma indemnização simbólica de um euro.
OLHOS NO FUTURO
A Associação de Familiares das Vítimas – que nasceu como comissão para acompanhar as buscas – é hoje uma Instituição Particular de Solidariedade Social. É desta forma que vai construir e gerir um Centro de Acolhimento Temporário que, dentro de um ano, poderá receber 20 crianças em risco, oriundas do Vale do Sousa. As obras já arrancaram e estão orçadas em 577 mil euros.
FLORES AO DOURO
À mesma hora (21h10) do colapso da antiga ponte de Entre-os-Rios, cerca de 200 pessoas estiveram ontem a meio do novo tabuleiro sobre o rio Douro para lançarem flores em memória das 59 vítimas mortais do acidente.
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