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Correio da Manhã

Portugal

Famílias ficam sem os filhos

Luís Ribeiro, bombeiro, e a mulher, Cidália, desesperam. Uma assistente social, com dois polícias, entrou-lhes em casa terça-feira de manhã e levou os cinco filhos. Não sabem para onde. A vizinhança, ouvida pelo CM, afirma que as crianças – de dois, quatro, sete e nove anos – passavam fome. O outro filho tem quatro meses.
13 de Janeiro de 2005 às 00:00
Luís Ribeiro diz que o ordenado, de 700 euros, “dá para sustentar a família” e jura que os filhos “não passavam fome, nem pediam”.
Teresa Nunes, do café Lafonense, conta que a miúda de nove anos vinha com os irmãos pedir leite, arroz e outras coisas. “Mas nem sempre podia dar, porque tenho três filhos”. Maria José Batata também lhes “matou a fome quase todos os dias” e José Ferreira via os menores ir à mercearia “pedir comida e levar sacos com comida e roupa para casa”.
O CM tentou contactar a Seg. Social de Almada mas foi impossível.
TRIBUNAL LEVA TRÊS MENORES
Na Quinta do Lavrado (Lisboa) a tarde de dia 7 foi agitada. “A polícia entrou pela casa dentro e levou os nossos filhos para a esquadra”, explica o casal Paulo e Adélia Mouquinho. “Disseram que tinham um mandado do Tribunal, por denúncia de maus tratos.” Garantem que não foram ouvidos “por um juiz”.
Ontem visitaram dois dos filhos – de sete e três anos –, que estão num lar da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML). O outro, de 12 – que terá sofrido os maus tratos –, está numa instituição da Segurança Social. “Se o Tribunal ordenou a retirada das crianças é porque corriam perigo iminente”, explicou fonte da SCML.
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