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Correio da Manhã

Portugal
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FAMÍLIAS NA RUA A 27

Elizabete Lopes é polícia há quatro anos e meio. Delegada do Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP/PSP) na esquadra da PSP de Miraflores, espera por uma promoção desde Junho. “Acho que as medidas a tomar para resolver este e outros problemas da PSP só podem ser de firmeza”, salientou.
11 de Novembro de 2004 às 00:00
Por isso, a jovem não hesita ao garantir que, no dia 27 de Novembro, será uma das polícias que irá levar familiares à Praça do Comércio, em Lisboa, para pressionar o Governo a tomar medidas efectivas.
A iniciativa foi ontem aprovada durante a conferência nacional que juntou delegados do SPP/PSP e da Associação Sindical Independente de Agentes de Polícia (ASIA/PSP). Os agentes participantes no encontro aprovaram, por unanimidade, a ideia apresentada pelo presidente do SPP/PSP, que afirma se ter “inspirado na realidade espanhola”. “Em Espanha, a luta pelo sindicalismo fez-se nas esquadras, onde as famílias muitas vezes entraram em solidariedade com os polícias”, referiu António Ramos.
DIA DE REUNIÃO DAS FAMÍLIAS
Assim, aproveitando o facto de 27 de Novembro ser um sábado, “dia em que os polícias conseguem reunir a família”, o SPP e a ASG querem “no Terreiro do Paço, pressionar o Governo a considerar os problemas da PSP”.
Em paralelo, tentar-se-ão recolher cinco mil assinaturas de associados dos dois sindicatos, com um objectivo claro. “Queremos levar o parlamento e o Governo a legislar, como é de lei, sobre assuntos que dizem respeito à vida da PSP, inclusive revogar despachos negativos”, salientou Peixoto Rodrigues, secretário-geral da ASG.
Depois de terem anteontem recebido a garantia da Direcção Nacional da PSP, de que iriam ser despachados os requerimentos de pré-aposentação de dezenas de agentes, com o salário por inteiro assegurado nos anos anteriores à reforma, o SPP e a ASIA decidiram adiar a entrega de um memorando ao Governo. “Recebemos ainda a informação de que um assessor do primeiro-ministro intercedeu junto do ministro da Administração Interna para que as promoções fossem desbloqueadas. Resolvemos esperar e dar o benefício da dúvida, antes de entregar o documento que aprovámos”, concluiu o presidente do SPP.
GRATIFICADOS NA ESTEFÂNIA PODEM PARAR
A direcção da Associação Sindical Independente dos Agentes de Polícia (ASIA/PSP) deixou ontem no ar a possibilidade de apelar aos seus associados para que deixem de fazer gratificados no Hospital D. Estefânia, em Lisboa, caso a administração do estabelecimento hospitalar não pague, até fim de Novembro, os 60 mil euros que deve a 120 agentes.
A dívida, acumulada desde Maio, abrange profissionais do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, e da própria Direcção Nacional (DN), que fizeram gratificados naquele estabelecimento hospitalar. “Em média, cada agente faz no Hospital da Estefânea, cinco gratificados por mês, a 160 euros cada um”, explicou aos jornalista Peixoto Rodrigues, secretário-geral da ASIA/PSP.
Apesar de admitir esta dívida, fonte da administração do D. Estefânia referiu que só terá condições para a saldar quando receber da DN da PSP os mais de 300 mil euros de que garante ser credora. Em causa estão, segundo referiu a mesma fonte, as dívidas acumuladas pelos Serviços de Saúde da DN da PSP. O secretário-geral da ASIA/PSP recusa este argumento, referindo que “a dívida do hospital é a cada polícia, e não à DN”. Se até final de Novembro não receber o dinheiro de que garante ser credor, Peixoto Rodrigues referiu que será o primeiro a, “a partir de 1 de Dezembro, deixar de fazer gratificados no Hospital D. Estefânia”.
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