Mulher diz que era forçada a sexo em grupo, marido garante que actos eram consentidos.
As orgias decorriam nos melhores hotéis da Linha de Cascais e do Algarve e contavam com a participação de várias figuras públicas portuguesas. Entre quatro paredes foram gravadas cenas de sexo em grupo que envolveram travestis e prostitutas e onde José Castelo Branco foi um dos intervenientes. O ‘rei do jet-set’, a mulher Betty Grafstein e outros famosos serão agora obrigados a explicar as orgias em tribunal. Isto porque a mulher de um empresário de Famalicão, João Ferreira, diz ter sido forçada a ter relações sexuais.
O Ministério Público diz mesmo na acusação que a "queixosa foi obrigada sob ameaça de armas a ter sexo com terceiros". O empresário do Norte está acusado de violência doméstica e detenção de armas.
Uma famosa relações públicas de Lisboa e uma jovem loira, na casa dos 20 anos, apontada como sendo filha de um conhecido político, são outras das figuras que surgem em cenas de sexo explícito nas fotografias. Também elas poderão ser chamadas a depor, tal como José Carlos Pereira, actor da TVI, que embora não apareça em nenhuma das cenas de sexo gravadas surge em fotografias na companhia do casal de Famalicão, à porta de hotéis de luxo onde decorriam os encontros.
Uma investigação da PJ do Porto esteve na origem do caso. João Ferreira, de 47 anos, era suspeito de tráfico de armas e na sequência de uma busca à sua casa em Lousado, Famalicão, os inspectores descobriram mais de 500 imagens e vídeos de cariz sexual.
A mulher de João acusou-o diante dos inspectores. Disse que durante mais de dez anos foi agredida e obrigada a prostituir-se. Garantiu ser autêntica escrava sexual. A filha do casal, de 10 anos, disse que o pai batia na mãe e pediu à PJ que o prendesse.
João, que está em prisão domiciliária, alegou que nunca forçou a mulher a ter sexo e por isso juntou ao processo mais fotografias e vídeos e pediu que Castelo Branco e Betty fossem ouvidos, o que nunca veio a acontecer. O objectivo é confirmarem a sua versão, que assenta no consentimento e em contrapartidas: diz que no final de uma orgia comprou a Castelo Branco um anel de 35 mil euros que deu à mulher. No processo está pelo menos um vídeo, que o CM viu, onde o marchand de arte mantém relações sexuais com o casal.
As orgias não tinham organizador. Envolviam desconhecidos, famosos, prostitutas e travestis. Recorriam sempre a objectos sexuais, como vibradores e algemas. Os encontros tinham lugar nos melhores hotéis, onde o preço da noite ascendia aos 500 euros. O Baía Hotel, o Miragem, o Quinta da Marinha, todos em Cascais; o Marina Hotel, em Vilamoura, e o Hotel Palace, no Estoril, eram os lugares de eleição.
O QUE SE VÊ NA GRAVAÇÃO
Filme, que o CM viu, tem mais de 10 minutos. Não parece gravado à revelia e mostra sexo aparentemente consentido, envolvendo o casal e o ‘Conde’
Mais de 500 fotografias e diversos vídeos constam do processo. Um vídeo de cerca de 10 minutos, usado para provar que a mulher de João Ferreira participava de livre vontade nas orgias, foi feito em 2006 num quarto de hotel. No início da gravação só se vê o arguido João Ferreira a passar umas fotos a alguém que aparece nas imagens e as assina. Entra uma mulher no quarto: está de saia de ganga curta, meias pretas de renda e uma blusa – e traz, dobrada, uma toillete de calça e casaco, corte clássico, em preto.
Castelo Branco, nessa altura, aproxima-se da cama e da mulher. Fala com o marido e diz que lhe vai dar conselhos de moda: quer que ela vista o casaco sem o sutiã – o que ela faz. Castelo Branco sugere como lhe ficava bem certa jóia ao peito. Todos se riem com vontade. A partir daí, Castelo Branco, vestido com um páreo de praia e chinelos, tira as cuecas. Ela e o marido despem-se também. Envolvem-se os três numa tórrida cena de sexo.
ZECA NEGA CONHECER CASAL FERREIRA
Em várias fotografias juntas ao processo, José Carlos Pereira surge na companhia de João Ferreira e da mulher, junto à porta de alguns hotéis onde decorriam as orgias. Mostravam-se muito cúmplices e sorridentes. Ontem, ao CM, o actor da TVI negou qualquer envolvimento na rede.
Quando questionado sobre as fotografias onde está com o casal à porta de um hotel, o actor da TVI deixa claro que tal é uma situação normal. "Deve haver imensos casais que tiraram fotos comigo. Mas nunca participei em nada. Estou de consciência tranquila. Participar em orgias é completamente mentira. Acho tudo isto uma grande palhaçada que só me dá vontade de rir. Se há coisas que nunca fiz foi isso. O que é que eu tenho a ver com este caso?", questiona.
"SOU A PESSOA MAIS PÚDICA DESTE MUNDO"
Escandalizado." É desta forma que José Castelo Branco reage ao ver o seu nome constar de um processo que envolve uma rede de orgias sexuais violentas. "Sou a pessoa mais púdica deste Mundo e agora dizem que sou tarado. Tenho uma conduta sexual irrepreensível", diz o conhecido ‘marchand’ ao CM, negando ter recebido qualquer notificação das autoridades. "Não recebi nada, garanto. Continuo a receber o meu correio, mas notificação, nada."
Garantindo "não saber" quem são as pessoas envolvidas, José Castelo Branco recorda-se de um episódio que remonta a "2005" e que o liga a um homem de nome "João". "As únicas pessoas que conheci de Lousado foram uns fãs. Conheci-os no Algarve quando fui rei do Carnaval de Vila Real de Santo António. Apareceu um casal que até me ofereceu uma tacinha de prata", recorda, acrescentando: "Na altura, fazia mudanças de visual para um jornal e convidei-a a participar. Disse-lhe que ela devia colocar umas maminhas novas e que ele devia ser operado à barriga. Tinha uma barriga enorme."
Mais tarde, relata o colaborador da TVI, chegou a "jantar" com o casal, até que recebeu imagens de "João" e da mulher já depois das intervenções cirúrgicas. "Ele mandou-me fotografias com a barriga lisa e com as maminhas da mulher e outra fotografia que devia ser da pila dele e com a mulher. Quando vi a foto, pensei logo: ‘esta gente é louca’. Apaguei aquilo tudo e nunca mais os vi. Afastei-me deles em 2005 quando percebi que eram loucos", garante Castelo Branco, negando ter participado em orgias de sexo violento. "Sexo violento? Mas isso existe? Achei que isso só acontecia nos filmes de décimo escalão. É vergonhoso implicarem-me a mim e à Betty [Graffstein] – que é uma senhora – em coisas nojentas", afirma.
O CM sabe que a PSP fez chegar ao processo uma informação dando conta de que não tinha sido possível notificar o ‘marchand’. Também a TVI terá sido contactada, mas disse ao tribunal que não conhecia a morada de José Castelo Branco.
MORADIA REPLETA DE SANTOS
João está em prisão domiciliária na casa da mãe, situada no centro de Lousado, Famalicão. A moradia não deixa ninguém indiferente. Está repleta de estátuas em honra de vários santos portugueses e tem no jardim diversas placas com inscrições fúnebres. Os portões vermelhos têm também pintadas duas enormes estrelas vermelhas. "São uma família muito excêntrica e muito rica", explicou ao CM um vizinho.
DIREITO DE RESPOSTA
Foi publicada, em 27 de Setembro último, uma manchete e desenvolvimentos nas páginas interiores nos quais sou visado, reportagens estas subscritas por Tânia Laranjo, Rita Montenegro e Ana Isabel Fonseca.
Tais textos e chamada de capa encontram-se intencionalmente organizados para que, quem os lê e, sobretudo, quem observa aquela primeira página, me referencie directamente a comportamentos socialmente reprováveis, que nunca pratiquei.
Até hoje desconheço o conteúdo do processo criminal referido, a que os subscritores da reportagem terão aparentemente tido acesso. Por isso, lamentando a situação em que fui colocado, de ter que me defender publicamente de algo que, na essência, desconheço, afirmo, em exercício de direito de resposta: a) Não sei quem é nem privei com o casal mencionado no vosso jornal; b) Caso existam, como afirmam, naquele processo, uma ou mais fotografias minhas com o referido casal, isso dever-se-á apenas ao facto de eu posar frequentemente, para fotografias, com pessoas que mo pedem; c) A eventual existência de fotos não permite a esse jornal fazer manchete com a minha imagem ou, sequer, usá-la, porque, como se vê na restante reportagem, nenhum outro facto ou referência existirá, naquele processo, a meu respeito; d) Mas tal inexistência de factos não evitou que esse jornal me referisse como frequentador, com outro visado, do Hotel Cascais Mirage, onde nunca pernoitei; e) Assim orientando directamente quem lê os textos para a consolidação das certezas, ou, pelo menos, das dúvidas, sobre uma qualquer relação anómala, minha, com o referido casal, relação que não existe nem existiu alguma vez ou por qualquer forma possível. Concluindo, informo que não autorizo que o meu nome ou imagem voltem a ser referenciados ao assunto noticiado naquela edição e muito menos sejam usados para promover a venda do jornal ‘Correio da Manhã’, como aconteceu no presente caso. A partir daí e por causa da forma como esse jornal editou e publicou, as repercussões têm sido permanentes e, para mim, insuportáveis. A gravidade das imputações que, por vós, me foram feitas, em forma de sub-texto, está a provocar grande perturbação na minha vida privada, na minha saúde e na minha vida profissional. Exigirei, pois, a assunção de responsabilidades sobre esses danos, no local e tempo próprios.
José Carlos Pereira
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