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Correio da Manhã

Portugal
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Fátima mantém abertura ao diálogo inter-religioso

O Santuário de Fátima vai manter a sua abertura ao diálogo ecuménico e inter-religioso com o novo bispo, revelou ontem o futuro titular da Diocese de Leiria-Fátima, D. António Marto, que se afirmou “um homem de coração universal”.
25 de Abril de 2006 às 00:00
D. António Marto cumprimentado pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, ontem em Fátima
D. António Marto cumprimentado pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, ontem em Fátima FOTO: Luís Filipe Coito
“O santuário mariano da Cova da Iria é católico, tem o seu perfil e fisionomia próprios, mas isso, salvaguardando a sua identidade, deixa espaço para o diálogo ecuménico e inter-religioso, porque isso é de toda a Igreja a nível mundial”, disse D. António Marto, frisando que “a atitude de diálogo não é de um bispo, é da Igreja toda”.
Para o bispo nomeado de Leiria-Fátima foi criado um “equívoco, uma confusão, por um grupo de pessoas que quis acusar o Santuário de ser de todas as religiões, o que não tem razão de ser”.
D. António Marto negou ainda qualquer intenção do Vaticano em interferir na gestão do Santuário de Fátima e manifestou-se favorável a uma administração partilhada com outros bispos.
O estatuto do Santuário de Fátima é um dos temas em discussão na Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), que decorre desde ontem em Fátima.
Ao que tudo indica, irá ser criado um conselho que, a título consultivo, aconselhará o bispo da diocese, nomeadamente “a nível da arrumação da pastoral”, mas o Santuário “continua a ser administrado pelo bispo de Leiria-Fátima, com a co-responsabilidade de outros bispos”.
Segundo o prelado, “todos os santuários com dimensão nacional e internacional têm um estatuto próprio com co-responsabilidade de outros bispos. Mas tanto quanto li nos estatutos, não têm nada de controlo do Vaticano”.
D. António Marto foi nomeado bispo de Leiria-Fátima no sábado e irá substituir D. Serafim Ferreira e Silva, tomando posse a 25 de Junho.
IGREJA QUER MÉDICOS PELA VIDA
O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga, apelou ontem aos políticos católicos para defenderem a vida como o fundamento de todos os direitos. “Aos políticos, em particular aos católicos, compete a ousadia da diferença para que, em sede legislativa, assumam este direito inviolável como fundamento de todos os outros direitos”, disse D. Jorge Ortiga. O arcebispo de Braga, que discursava na abertura da assembleia plenária, dirigiu-se ainda aos profissionais de saúde, dizendo esperar deles “a serenidade de objectar em consciência para que a cultura da vida floresça nos hospitais”.
Ao referir-se ao “dom da vida a propor e defender”, D. Jorge Ortiga manifestou a sua preocupação pela “mercantilização da vida”, que classificou como “comércio infame”, e dando como exemplo o comércio de órgãos, a manipulação e a destruição de vidas. A assembleia plenária da CEP decorre até quinta-feira em Fátima.
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