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Correio da Manhã

Portugal
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Fechados na casa de banho

A porta do restaurante O Forno já estava fechada. Mas, quando a empregada da limpeza saiu para despejar um balde de água foi logo abordada por dois homens. Pouco passava das 22h00 de anteontem e estava prestes a começar mais um assalto violento no Vale do Forno, em Odivelas, que terminou com duas pessoas sequestradas no interior de uma casa de banho. “Perguntaram-lhe se podiam entrar para beber uma cerveja, mas ela disse que não. Já passava da hora”, relata ao CM Augusto Martins, 64 anos, proprietário do estabelecimento.
7 de Novembro de 2009 às 00:30
Augusto Martins conta que ladrões até levantaram caixa registadora
Augusto Martins conta que ladrões até levantaram caixa registadora FOTO: Vítor Mota

“Estava sentado numa cadeira e quando olhei já estavam eles a empurrá-la à força cá para dentro. Tinham a arma apontada para a funcionária, mas, quando me viram, apontaram-na para mim”, conta.

“Um deles só gritava: ‘o dinheiro, onde está o dinheiro’, mas o outro disse para ver na caixa registadora. Enquanto um deles abria a caixa, o outro, que tinha a arma apontada para nós, obrigou-nos a ir para a casa de banho”, recorda Augusto Martins.

O comerciante ainda tentou reagir e abrir a porta dos sanitários. “Mas um deles continuava a segurar a porta e, apontando a arma, só perguntou: ‘onde é que queres ir’.”

Quando conseguiram retirar o que queriam da caixa registadora, os dois assaltantes puseram-se em fuga, deixando as duas vítimas ainda na casa de banho. “Abri a porta, sai do restaurante e ainda fui atrás deles. Subiram a rua das Rosas a pé e viraram na segunda à direita. Como sei onde vai dar essa rua, virei na primeira à direita, mas, no final da mesma, já só vi um carro cinzento a arrancar a alta velocidade e de luzes apagadas.”

Ontem, o restaurante O Forno estava novamente aberto, mas o assalto era o assunto dominante. “Estou aqui há 16 anos e nunca tinha passado por uma coisa destas. Não dormi nada pois só me lembrava da arma apontada. A minha empregada, segundo contou o marido, passou a noite toda a tremer”, lamenta Augusto Martins.

PORMENORES

ARMA 'ESQUISITA'

De acordo com Augusto Martins, a arma usada no assalto era "esquisita, parecia uma pressão de ar, mas com o cano afunilado da boca para a culatra, como um arcabuz".

300 EUROS E TELEMÓVEIS

A dupla de assaltantes acabou por escapar com 300 euros retirados da caixa registadora – "o dinheiro de um dia de trabalho" – e dois telemóveis pertença do proprietário.

SEM GORROS NEM LUVAS

Os ladrões actuaram de cara destapada – "só um deles é que tinha um camisolão que tapava a boca" – e não usaram luvas durante o assalto. No entanto, o estabelecimento não tem videovigilância e a PJ, uma vez que mais gente já tinha mexido na caixa, não retirou impressões digitais.

CARRO FOI VISTO ANTES

De acordo com moradores, o carro cinzento usado na fuga – "um Honda Civic" – foi visto horas antes a circular no Vale do Forno, também de luzes apagadas. 

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