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Correio da Manhã

Portugal
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Fecho de esquadras é solução

Um estudo da PSP, classificado como reservado e a que a Lusa teve acesso, assegura que os bairros problemáticos de S. João de Deus e Lagarteiro, no Porto, ficam mais seguros se fecharem as suas esquadras.
24 de Janeiro de 2007 às 00:00
Segundo o Estudo da Reestruturação do Dispositivo Policial da Cidade do Porto, o encerramento das duas esquadras permitiria libertar 24 agentes, actualmente em funções burocráticas, para reforço do dispositivo operacional.
Com esta “melhor gestão dos recursos humanos” seria possível um patrulhamento de proximidade e visibilidade “de forma a que a população tenha a consciência da presença sistemática do dispositivo policial nas ruas”, lê-se no documento que o Comando Metropolitano tem entre mãos.
Ainda assim, reconhece-se que o fecho das esquadras de S. João de Deus e Lagarteiro, ambas na freguesia de Campanhã, a maior da cidade, poderia potenciar um “sentimento de perda” de segurança das populações.
A serem seguidas as recomendações, a desactivação da 2.ª esquadra, no Bairro de S. João de Deus, implicará o patrulhamento daquela zona pela 6.ª, na Rua Naulila. O documento propõe também o fecho da 5.ª esquadra (Lagarteiro), passando o policiamento para a 4.ª (S. Roque da Lameira).
As duas esquadras ameaçadas têm instalações entre o razoável (5.ª) e o mau (2.ª), o mesmo número de polícias (23), mas indicadores de criminalidade antagónicos: na 2.ª esquadra não vai além de 0,5 por cento do índice global da cidade, enquanto a 5.ª esquadra enfrenta a mais alta taxa do Porto, com 12 por cento das ocorrências.
Neste estudo, que abrange toda a organização policial na cidade do Porto, propõe-se o fecho de mais duas das 15 esquadras existentes: uma em Cedofeita (11.ª, Praça Coronel Pacheco) e outra em Paranhos (13.ª, Monte dos Burgos).
Segundo o estudo, a 11.ª esquadra tem uma área de intervenção reduzida, fica a 500 metros da 12.ª, regista baixa criminalidade e as instalações são más. Também a 13.ª esquadra regista baixa incidência criminal e cobre uma área diminuta.
O grupo de trabalho defende igualmente a criação, “em fase oportuna”, de uma esquadra na freguesia de Lordelo do Ouro. A reorganização das esquadras iria permitir, segundo o estudo, uma distribuição equilibrada dos polícias pela cidade, num rácio de um agente por 329 habitantes, um por 18 crimes e 19 por quilómetro quadrado.
Nove das 15 esquadras da PSP do Porto funcionam em prédios em mau estado de conservação: Pinto Bessa (3.ª), Lagarteiro (5.ª), Campo Lindo (8.ª), Coronel Pacheco (11.ª), Cedofeita (12.ª), Foz do Douro (15.ª), Pinheiro Manso (16.ª), João de Deus (17.ª), Central de Francos (18.ª) têm instalações degradadas.
O Comando da PSP do Porto não quis comentar o estudo.
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