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Correio da Manhã

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Felicidade acalma os nervos

Para as mulheres que sofrem com o stress da época das festas, com o trabalho, o cuidar da casa e dos miúdos ou o trânsito a mais que impede a pontualidade a solução pode estar mais próxima do que aquilo que imaginam. Basta apenas, de acordo com um trabalho da Universidade da Virginia, nos Estados Unidos, apertar a mão do marido para acalmar os nervos. E para quem não tiver marido? Segurar na mão de um qualquer homem é melhor do que nada.
29 de Dezembro de 2006 às 00:00
Agarrar na mão de alguém proporciona sensação de bem-estar
Agarrar na mão de alguém proporciona sensação de bem-estar FOTO: d.r.
O estudo que deu corpo a esta teoria, publicado na edição de Dezembro da revista científica ‘Psychological Science’, contou com a colaboração de 16 mulheres com casamentos felizes, que receberam um pequeno choque eléctrico em três situações distintas – sozinhas, a segurar a mão dos maridos e a segurar a mão de um homem desconhecido – enquanto os seus cérebros eram vistos à luz de uma ressonância magnética.
“Segurar na mão faz parte da natureza das crianças quando se encontram em stress”, explica James Coan, neurocientista da Universidade da Virginia e um dos responsáveis pelo estudo. “Também resulta quando se trata de adultos.”
Possibilidade agora confirmada no primeiro estudo do género, que avança ainda que, quanto mais felizes no casamento, maiores os benefícios para as mulheres enervadas, retratados pelas imagens ao cérebro. “Primeiro quisemos saber o que acontece, a nível cerebral, quando a mulher está completamente sozinha e em stress”, refere o neurocientista. Depois, os investigadores olharam para as ressonâncias magnéticas que retratavam o momento em que as mulheres se socorriam do apoio dos maridos, segurando-lhes na mão ou na de estranhos e descobriram que “quando uma pessoa está de mãos dadas, seja com quem for, as partes do cérebro responsáveis por mobilizar o corpo para agir acalmam-se”. Independentemente da mão que se agarrar.
Conclusões que não surpreendem o neuropsicólogo Nélson Lima, director do Instituto da Inteligência. “Há muitas técnicas de relaxamento que passam pelo toque”, explica ao CM. “Quando há um toque, sobretudo daqueles de quem gostamos, isso faz com que nos sintamos mais protegidos, proporcionando uma sensação de segurança.” Mas não restam dúvidas que é a mão do marido que mais benefícios dá às mulheres enervadas. “Qualquer mão acalma a reacção da mente ao stress, mas apenas a mão do esposo consegue acalmar a região do cérebro que mantém estas emoções em ordem”, refere Coan.
E quanto mais feliz for a relação a dois, melhor se sentirão as stressadas. O especialista norte-americano verificou mesmo que, quando a união é muito forte, segurar na mão funciona como uma espécie de analgésico. “Sabemos, há cerca uma década, que ter um bom relacionamento faz com que as lesões se curem mais depressa e com que as pessoas fiquem menos doentes e até vivam mais”, reforça. “Mas ninguém tinha, até agora, conseguido quantificar os benefícios de um bom relacionamento para a saúde”, acrescenta. Nélson Lima concorda que já havia provas, “ainda que não tão evidentes”. Para o especialista, “há anos que se verificou que o sentido do tacto, a partir do toque, pode estimular o sistema imunitário.
Nas crianças e nos bebés as massagens suaves proporcionam uma sensação de alívio e bem-estar”.
BASTA ABRAÇAR UM AMIGO OU UM FAMILIAR
Acumulam-se as provas que dão conta de que o toque pode operar maravilhas, quer a nível físico, ajudando a minimizar muitas dores, quer mental. Mas o contacto físico torna-se cada vez mais difícil, tendo em conta o ritmo acelerado do dia-a-dia, a constante falta de tempo e as horas sucessivas passadas à frente dos computadores, no escritório. O conselho de muitos especialistas para uma vida mais saudável é, pois, procurar incorporar o toque na rotina diária. Por vezes, basta apenas um abraço a um amigo ou familiar para fazer com que tudo pareça mais fácil e afastar os problemas. E porque os efeitos secundários destes toques são virtualmente inexistentes, uma boa dose de contacto pode bem ser o melhor remédio.
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