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Correio da Manhã

Portugal
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FERIDAS E NÓDOAS NEGRAS

A mãe de uma criança de quatros anos acusa uma funcionária do Patronato de S. José – instituição de solidariedade sem fins lucrativos de Lamego –, de ter rasgado os lóbulos das orelhas do filho, no dia 28 de Julho, como punição por causa de um comportamento incorrecto.
24 de Agosto de 2004 às 00:00
A direcção da instituição desmentiu tudo num comunicado, onde afirma que acabou por arquivar o processo de averiguações interno, devido “à ausência de provas capazes de sustentar a acusação”. Este caso não parece ser único, já que dois encarregados de educação preparam-se para apresentar queixa na Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em risco de Lamego (CPCJ) e na PSP de Lamego.
Segundo Zulmira Cosme, já há alguns meses que o filho Eduardo de quatro anos se queixava de “maus tratos, como puxões as orelhas e fecharem-no num quarto escuro”, infligidos por uma auxiliar de educação do Patronato.
Depois de várias queixas do filho, Zulmira Cosme decidiu falar com a funcionária que “não negou que tinha puxado as orelhas ao menino”. “Após alguns dias de pausa, as queixas voltaram”, acrescentou a mãe: “O meu filho disse ao entrar no carro que não podia falar por que a auxiliar não deixava”. Só no dia seguinte, ao tirar a roupa para dar banho à criança, é que a mãe se apercebeu que as orelhas dele estavam em ferida.
Dois dias depois, a criança foi levada ao hospital, cujo relatório expressa o tipo de ferimento na criança, “de forma a que possa servir de prova das agressões”.
Por seu turno, Paula Monteiro e Manuel Paradela, pais de crianças com quatro anos, já apresentaram as suas exposições à CPCJ de Lamego, devido a alegados maus tratos aos seus filhos. A auxiliar referida por Zulmira Cosme volta a estar no centro das acusações.
No primeiro caso, Paula Monteiro garante que “depois de o meu filho ter começado a frequentar a sala dos mais velhos, começou a ter um comportamento estranho e recusava-se a ir à escola”.
A situação de Manuel Paradela é semelhante. O filho de quatro anos frequentava o patronato de São José desde que completou o primeiro aniversário. “Nunca tive razões de queixa, mas comecei a estranhar o comportamento do filho a partir do momento em que passou a ser muito agressivo”. O pai recorda hematomas na cara e um puxão nas orelhas e no nariz, que “deixaram a criança toda marcada”.
PEQUENOS CORRECTIVOS
Maria de Sousa, natural de Lamego e cujos filhos já frequentaram o Patronato, mostrou-se surpreendida com as alegadas agressões: “Durante o tempo que os meus dois filhos frequentaram aquela escola nunca se queixaram das educadoras ou das auxiliares”. Para esta mãe de dois rapazes de 15 e 12 anos, “um pequeno correctivo nunca fez mal a ninguém, desde que não se entre em agressões que possam por em causa a integridade física e psicológica das crianças”. Uma opinião que Paula Monteiro e Manuel Paradela partilham, mas com muitas reservas: “uma coisa são pequenos correctivos, outra são agressões a crianças que não podem defender-se”.
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