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Correio da Manhã

Portugal

Ferry encalha na Ria

O ‘ferry’ ‘Rio Guadiana’ encalhou ontem de manhã, pelas 07h30, perto da ilha Culatra, quando fazia uma ligação marítima a partir de Olhão debaixo de intenso nevoeiro e com 50 passageiros e quatro tripulantes a bordo.
13 de Agosto de 2006 às 00:00
O ‘ferry’ ficou assente no areal. Os cerca de 50 passageiros mantiveram a calma. Foram transferidos para dois barcos da Polícia Marítima.
O ‘ferry’ ficou assente no areal. Os cerca de 50 passageiros mantiveram a calma. Foram transferidos para dois barcos da Polícia Marítima. FOTO: Raúl Coelho
Um desvio de 20 metros da rota foi o bastante para que a embarcação ficasse assente num banco de areia de viveiros de amêijoa. O incidente não provocou feridos.
“Tentaram fazer a carreira e a embarcação encalhou devido à conjugação de nevoeiro com marés fortes”, explicou ao CM o comandante da Capitania do Porto de Olhão, Jaime Trabucho.
O oficial referiu que a instalação de viveiros na Ria provoca assoreamento e diminuiu as margens de manobra nas rotas.
Neste caso, a embarcação desviou-se escassos 20 metros e destruiu vários viveiros, prejuízo coberto pela seguro da empresa proprietária do ‘ferry’, a Transportes do Guadiana.
O ‘Rio Guadiana’ transportava 50 passageiros e o carregamento matinal de pão para as ilhas Culatra e Farol. Não chegou ao primeiro destino.
O incidente nem sequer provocou pânico e os passageiros foram ordeiramente transferidos para dois barcos da Polícia Marítima, um do Instituto de Socorro a Náufragos e alguns particulares.
“Fomos chamados por pessoas que circulavam no barco encalhado. Deslocamo-nos lá e levámos pessoas para a Culatra e Farol. Hoje [ontem] está a ser um dia de muito trabalho”, disse o mestre Justiliano Lopes, de 34 anos, da Taximar. A ligação para a Culatra a partir de Olhão esteve ontem assegurada pelo navio ‘Armorense’ e por diversos táxis marítimos.
O ‘Rio Guadiana’ foi desencalhado cerca das 16h40 e rebocado pelo ‘Fogoso’ para Olhão, a fim de ser inspeccionado.
O ‘Rio Guadiana’ é um cacilheiro com 40 metros e capacidade para transporte de automóveis. É o maior navio a efectuar ligações para as ilhas barreira, carreira para a qual foi transferido há uma década depois de servir na ligação Vila Real de Santo António-Ayamonte, na era pré-Ponte Internacional do Guadiana.
Este gigante da Ria Formosa tem uma lotação máxima de 400 passageiros, mais do dobro do que a média das restantes embarcações de ligação às ilhas.
O comandante Jaime Trabucho diz que “o barco é excelente, é o melhor nas ligações da Ria”.
Já o mesmo não se pode dizer, por exemplo, das duas embarcações que fazem a ligação para a ilha Armona. Segundo o mesmo oficial, o ‘Rio Belo’ é de 1945 e o ‘Mira Sado’, diz o comandante, “já parecia sucata quando o via há 20 anos no Rio Sado”.
PORMENORES
ANTECEDENTES
Navios de passageiros encalhados na Ria não é raro. Aconteceu no Verão passado com o ‘Rio Belo’. Há dez anos, o ‘Praia de Faro’, encalhou no mesmo sítio em que ficou preso o ‘Rio Guadiana’.
NEVOEIRO
O ‘Rio Guadiana’ fez a viagem para a Culatra debaixo de nevoeiro. O mestre podia ter recusado fazer a carreira, mas optou por tentar não complicar um dia de trabalho que se previa intenso.
VIVEIROS
A instalação de viveiros de amêijoa na Ria provoca assoreamento dos canais. Quem o diz é o comandante Jaime Trabucho, admitindo que o facto diminuiu as margens de manobra nas rotas.
MARÉ
A maré tem uma amplitude de quatro metros o que permitiu que o barco desencalhasse às 16h40. A embarcação vai agora ser inspeccionada por mergulhadores.
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