Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
6

Festas em Chelas acabam à pedrada

A proximidade de duas festas que à partida seriam inofensivas, pelo aniversário de uma criança e de uma adolescente, a poucos metros, resultou em cocktail explosivo entre mais de 50 pessoas – envolvidas em cenas de pancadaria. A PSP foi chamada ao bairro do Armador, na zona M de Chelas, Lisboa, e foi recebida sábado à noite à pedrada e por garrafas atiradas da rua e das janelas dos prédios.
18 de Maio de 2009 às 00:30
Desordeiros refugiados num terceiro andar chegaram a incitar a PSP a efectuar disparos
Desordeiros refugiados num terceiro andar chegaram a incitar a PSP a efectuar disparos FOTO: Carlos Manuel Martins

De um lado moradores do bairro a festejarem os anos de uma criança; do outro um grupo vindo da Mouraria que tinha sido convidado para a festa de anos de uma adolescente. Às 23h00, a intensa troca de ‘bocas’ de um lado para o outro transformou-se em violência.

"O pessoal da Mouraria que veio cá [ao bairro do Armador] começou a fazer confusão logo ao início da tarde. Mas à noite a coisa piorou. Quando nos apercebemos tinham partido uma garrafa de cerveja na cabeça do Tino [um homem de 30 anos, pai da criança que fazia anos]. A polícia foi chamada – e, quando chegou, eles começaram a provocar os agentes", contou ontem o CM João Antunes, 27 anos, morador na casa onde decorria uma das festas, na rua Gilberto Freyre.

À chegada dos elementos das equipas de Intervenção Rápida, os desordeiros – "mais de cinquenta ", de acordo com a PSP de Lisboa – puseram-se em fuga. Mas alguns tinham recolhido a um 3º andar, de onde atiraram pedras e garrafas aos agentes. "Lembro-me de ver a polícia cá em baixo, depois de ter disparado alguns tiros para o ar, e um dos agentes a dizer que atirava se não fossem para dentro. E alguém da janela a gritar: ‘Então atira, seu filho da p...", relata João Antunes.

Apesar das ameaças, a PSP restabeleceu a ordem e, cerca das 02h00, a calma voltou ao bairro. Fonte do Comando Metropolitano de Lisboa adiantou ao CM que "dez pessoas foram identificadas, mas não foi feita qualquer detenção".

Segundo moradores do bairro, o grupo da Mouraria voltou ao local dos desacatos depois das 03h00, "à procura de vingança". "Traziam armas, mas como não viram ninguém acabaram por ir embora".

"LEVEI BASTONADA NA CABEÇA"

Na luta que envolveu mais de cinquenta pessoas, três ficaram feridas devido a cortes infligidos com garrafas partidas. Duas delas, um homem, de 30 anos, e um jovem, de 17, foram assistidas ainda no local pelo INEM, que chegou a deslocar duas ambulâncias. A terceira pessoa ferida na sequência dos confrontos foi Maria Alves Santos, tia da adolescente cujo aniversário motivou uma das festas, que diz ter sido agredida por agentes da PSP. "Vinha do trabalho e quando cheguei perguntei a um agente da PSP o que se passava. Os polícias empurraram-me logo e um deles deu-me uma bastonada na cabeça. Tive de ser suturada com sete pontos", garante ao CM Maria Santos.

Ver comentários