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Correio da Manhã

Portugal
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Fez barco para mostrar a fé

António Lopes é um exemplo de fé. As últimas cheias levaram-lhe o barco em que desde miúdo descia o rio para participar na Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem, em Constância. Mas o contratempo não o demoveu, e em três dias construiu uma embarcação, que ontem foi uma das cem abençoadas nos rios Tejo e Zêzere.
6 de Abril de 2010 às 00:30
Cem embarcações participaram no cortejo fluvial
Cem embarcações participaram no cortejo fluvial FOTO: Rui Miguel Pedrosa

"Nasci dentro da água. Quando os meus pais iam ao rio levavam-me numa cesta de verga, embrulhado numa manta", recorda António Lopes, de 62 anos, de Asseiceira, Tomar. Por isso, na iminência de não participar nas festas de Constância, meteu mãos à obra. "Em três dias eu e um colega fizemos o barco. Tinha barrotes de pinheiro e levei-os a uma serração para fazerem as tábuas. Pintei-o e envernizei-o. Tem 5,30 metros e custou-me 300 euros", conta.

António Lopes foi uma das 300 pessoas que participaram no cortejo fluvial nos rios Tejo e Zêzere, que envolveu embarcações oriundas de 17 municípios ribeirinhos. Salientando a ajuda da mulher e da cunhada, que trataram da decoração do barco, pôde continuar a cumprir a tradição. "Aos 6 ou 7 anos já vinha com os meus pais. Trazíamos o farnel e comíamos aqui", lembra.

Apesar das mudanças nos dois últimos séculos, a festa vai continuar. "A tradição é nós respeitarmos o essencial, acrescentando o nosso jeito, a nossa geração", explica António Matias, assessor cultural da Câmara de Constância.

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