page view

Fez lembrar um tsunami

Margarida Teixeira foi acordada ontem por um estrondo, que a fez correr para a janela. Do 1.º andar do prédio de que é proprietária, na Calçada do Cardeal, em Lisboa, viu um “cenário monstruoso”. Uma rotura numa conduta de transporte de águas ocorrida segundos antes originou um autêntico dilúvio.

27 de janeiro de 2006 às 00:00

“A água corria com uma força enorme e arrastava uma quantidade enorme de carros [60 no total]. Fez lembrar um tsunami”, recordou. Por milagre só duas pessoas ficaram ligeiramente feridas pela enxurrada.

A Empresa de Águas de Lisboa (EPAL), através do seu porta-voz, José Manuel Azenha, garantiu que se irá responsabilizar por todos os danos causados pela água nas viaturas, numa estação dos CTT, em duas lojas e no Hospital da Marinha.

“A empresa tem um seguro contra danos de trabalho. Está a ser feito um levantamento dos estragos, por isso ainda não se podem avançar valores nem quando será paga a indemnização aos lesados”, adiantou o responsável.

Técnicos do Serviço Municipal de Protecção Civil foram encarregados da recolha dos estragos.

A esquadra da PSP de Santa Apolónia abriu igualmente as portas a todos os afectados pelas cheias. “A contabilização dos estragos será depois entregue à EPAL”, acrescentou.

MARÉ DESTRUIDORA

A rotura na conduta aconteceu pelas 08h30, na Rua do Mirante, perto da porta de entrada do serviço de urgências do Hospital da Marinha, junto ao Campo de Santa Clara.

“Trata-se de uma conduta com 80 centímetros de diâmetro, situada na Rua do Mirante, e que abastece de água toda a zona baixa da cidade. É um equipamento velho, que deveria ser substituído até 2010”, acrescentou o porta-voz da EPAL.

Durante cerca de hora e meia, a água jorrou intensamente, provocando uma onda de destruição.

DUAS FERIDAS

A força da ‘maré’ era tanta que levou tudo à frente desde o local da rotura, na Rua do Mirante, até às traseiras da estação da CP de Santa Apolónia, onde uma estação dos CTT, um armazém e uma oficina ficaram completamente inundados.

Sessenta veículos foram arrastados pelas águas, sofrendo danos ainda não contabilizados. Uma moradora e uma funcionária do Hospital da Marinha sofreram ferimentos ligeiros devido à violência das águas.

O piquete da empresa foi o primeiro socorro a chegar. De imediato foram fechadas as válvulas de abastecimento da Central Elevatória de Águas da Calçada dos Barbadinhos, o que foi gradualmente diminuindo a força da água. O abastecimento em toda a Baixa de Lisboa foi cortado, de imediato, sendo restabelecido pouco depois das 12h00.

O trânsito automóvel na Rua do Mirante, Calçada do Cardeal, e Rua da Bica do Sapato foi cortado de imediato, devendo ser retomado pelas 20h00 de hoje.

PORMENORES DA DESTRUIÇÃO

Durante toda a manhã, Bombeiros, PSP, Polícia Municipal e técnicos da Protecção Civil uniram esforços para remover uma carrinha Peugeot que, devido à força das águas saídas da conduta, ficou atravessada junto à porta de entrada das urgências do Hospital da Marinha.

Sandra Faro e Joana Coutinho são proprietárias de duas das 60 viaturas que ontem sofreram danos graças à rotura na conduta de águas. “Fiquei com o sistema eléctrico do carro destruído. Não sei quem me vai pagar o arranjo”, disse Joana Coutinho.

Só na Calçada do Cardeal, uma das ruas afectadas pela torrente de água que saiu da conduta que entrou em rotura, contabilizaram-se 30 carros danificados. A força da água provocou o abatimento do piso, abrindo um buraco onde caíram cinco carros.

Oito serviços do Hospital da Marinha, incluindo as Urgências, Imagiologia e a Fisioterapia, vão estar parados pelos menos dois dias devido aos estragos provocados pelas inundações. Menezes Cordeiro, subdirector do Hospital, negou que tenham sido evacuados doentes.

CAMPOLIDE

Uma rotura no caneiro de Alcântara abriu, ao princípio da manhã de 26 de Novembro de 2003, um buraco com 15 metros de profundidade, junto à estação da CP de Campolide, em Lisboa.

CALÇADA DE CARRICHE

Ao final da tarde de 14 de Março de 2004, o trânsito na Calçada de Carriche, em Lisboa, ficou condicionado por causa de uma cratera. O buraco foi provocado por uma rotura numa conduta.

SANTA APOLÓNIA

A 19 de Novembro de 2004, uma conduta de abastecimento de água rebentou no largo de Santa Apolónia, em Lisboa. Os trabalhos de reparação da avaria deixaram sem água 150 mil habitantes de Lisboa e Algés.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8