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Correio da Manhã

Portugal
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Fica no hospital por falta de familiares

No meio da tragédia de sexta-feira Joaquim Mota teve sorte. Escapou quase ileso a um choque frontal que matou quatro pessoas. Teve alta médica após fazer exames no hospital, mas permanece internado por não haver um familiar que se responsabilize por ele.
3 de Setembro de 2007 às 00:00
Morreram três das cinco pessoas que seguiam no Opel de António, que ficou como a imagem documenta
Morreram três das cinco pessoas que seguiam no Opel de António, que ficou como a imagem documenta FOTO: Rui Pando Gomes
Joaquim seguia no Opel Corsa branco de António Custódio. Com os dois homens estavam o amigo Manuel Teixeira Marques, Vera Leal, companheira de António, e o ucraniano Vasyl Markiv (ver caixa). O grupo regressava de Lagos a Budens, onde todos residem. No cruzamento para o Burgau, na EN125, o carro colidiu frontalmente com outro Opel Corsa, onde seguia um jovem casal lisboeta de namorados, Ana Ribeiro e Luís Silva.
Vera teve morte imediata e Vasyl faleceu ainda no local. Ana e Manuel faleceram horas depois no hospital em Portimão. António e Luís sofreram fracturas nos membros superiores. Luís foi ontem transferido para Lisboa e António aguarda por uma cirurgia. Joaquim teve alta na madrugada de sábado. Tinha apenas uns cortes e umas contusões. À tarde, a GNR foi a Budens procurar familiares. Ontem, um irmão de António foi ao hospital para ir buscar Joaquim, mas não lhe competia responsabilizar-se pelo doente. Joaquim permanece no hospital em observação, mas está internado, sobretudo, por falta de familiares. Está a ser equacionada a hipótese de o transferir para uma unidade da sua área de residência – Lagos – ou de naturalidade – Viana do Castelo.
BOLEIA FATAL PARA UCRANIANO
Vasyl Markiv, 34 anos, era conhecido em Budens como o ‘talibã’. Fazia biscates na reparação de electrodomésticos e televisões e trabalhava ocasionalmente na construção civil, área de António, Joaquim e Manuel. O ucraniano não era do grupo, apenas os conhecia. Sexta-feira pediu-lhes boleia para ir comprar um telemóvel a Lagos. Perdeu a vida no regresso a Budens. O acidente permanece envolto nalgum mistério. O traçado horizontal na aproximação ao cruzamento é mau, mas a violência do embate sugere excesso de velocidade. Não há sinais de travagem. António garante que era ele quem conduzia, mas as marcas do cinto no tronco sugerem que seguia no lugar do pendura e uma testemunha diz que era Manuel quem estava ao volante.
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