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Correio da Manhã

Portugal
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‘FÍGADO GORDO’ AMEAÇA PORTUGUESES

Há uma nova ameaça a pairar sobre os portugueses. A esteatohepatite não alcoólica ou NASH, vulgarmente conhecida por "doença do fígado gordo", é actualmente o segundo motivo de consulta da especialidade e os investigadores prevêem que, no espaço de uma década, seja substituída pela Hepatite C no que diz respeito ao número de casos registados no nosso País.
12 de Junho de 2002 às 22:12
O alerta foi lançado durante o XXII Congresso Nacional de Gastrenterologia e de Endoscopia, que termina hoje em Vilamoura com a participação de 800 médicos. De acordo com os especialistas, esta nova "doença emergente", que afectará actualmente entre 20 a 25 por cento da população geral, é uma forma de hepatite crónica, com aspectos histológicos semelhantes aos da doença hepática alcoólica mas na ausência de ingestão alcoólica excessiva.


Embora ainda careçam de um estudo aprofundado no nosso País, os dados apurados pelos profissionais da saúde começam a suscitar sérias preocupações, pois o que começa por ser uma simples inflamação provocada pela gordura acumulada no fígado pode progredir para um quadro mais negro, ou seja, uma cirrose.


Para o director da Unidade de Hepatologia do Hospital de Santa Maria e presidente do congresso em Vilamoura, Carneiro de Moura, cabe no entanto ao cidadão comum prevenir o agravamento desta nova ameaça: "Como está muito associada às sociedades afluentes e sobretudo a uma alimentação rica em gorduras e hidratos de carbono, se as pessoas fizerem uma dieta equilibrada, exercício, perderem peso e não beberem álcool, podem curar a situação, já que é tratável na fase inicial.", aconselha. Contrariamente à "doença do fígado gordo", em regressão parece estar a Hepatite C, patologia que segundo as estimativas afecta actualmente cerca de 150 mil portugueses. De acordo com Carneiro de Moura, apesar dos riscos inerente à sua evolução silenciosa, que poderá contribuir para a forma de hepatite crónica e a criação de tumores, no espaço de uma década a doença terá a mesma importância que tem hoje a Hepatite B, tendo em conta a eficácia dos tratamentos já introduzidos no mercado, que garantem a cura em 80 por cento dos casos.
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