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Correio da Manhã

Portugal
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Filhos ficam na esquadra

Um agente da PSP de Lisboa entrou ontem de serviço na esquadra de Arroios com os dois filhos, de oito e onze anos, pela mão. O polícia alegou que a mulher, também ela agente na esquadra do aeroporto, estava a trabalhar e que não tinha onde deixar as crianças. A Associação Sindical de Agentes (ASG) defende a criação de uma creche da Polícia, para evitar casos idênticos.
15 de Outubro de 2006 às 00:00
O agente levou os filhos para a 10.ª Esquadra, em Arroios. Assim podia olhar por eles
O agente levou os filhos para a 10.ª Esquadra, em Arroios. Assim podia olhar por eles FOTO: Jorge Godinho
Eram 13h30 quando o agente entrou na esquadra de Arroios. Num ano e meio de serviço naquela esquadra, que pertence à Divisão da Penha de França, o seu horário nunca tinha coincidido com o da mulher – um cuidado previsto na lei e, normalmente, tido em atenção pelos comandantes.
Uma hora depois, o agente via o seu problema resolvido. Quando o oficial de serviço à Divisão soube que um dos polícias estava a tomar conta dos filhos numa esquadra, sugeriu-lhe que fosse para casa e que regressasse ao serviço pelas 19h30, hora de saída da mulher.
O secretário-geral da Associação Sindical Independente de Agentes (ASG), Peixoto Rodrigues, considera a situação “caricata” mas reveladora de uma necessidade de “revisão dos serviços sociais da PSP”. Defende que a Polícia devia ter uma creche disponível para os filhos dos seus elementos, como acontece noutros países e em empresas portuguesas privadas.
Todos os meses, os elementos da PSP descontam 0,5 por cento do ordenado e de todas as remunerações extra (como os serviços de gratificado) para os Serviços Sociais da PSP. “Mas a função social deste sector é quase inexistente”, acusa. Segundo o dirigente sindical, os Serviços Sociais permitem às crianças frequentarem colónias de férias, por exemplo, mas “são poucos os polícias que aderem”.
“Se a PSP tivesse uma creche para as crianças, pouparia dinheiro aos polícias que gastam em instituições privadas, e o nosso desconto mensal tinha um fundamento”, referiu o responsável.
E o agente da esquadra de Arroios não teria de se ausentar do turno da tarde, para ficar com os filhos.
PROBLEMA COM OS HORÁRIOS
Segundo fonte do Comando da Divisão da PSP de Penha de França, o horário do agente que ontem levou os filhos para a esquadra é feito pela comandante da esquadra de Arroios. “Neste último ano e meio, o agente tem levado o horário dele para a mulher e é no aeroporto que o horário dela é adaptado ao do marido”, disse. Isto porque, justificou a fonte, os horários do aeroporto têm turnos diferentes dos operacionais. Durante este tempo “tem corrido tudo bem e nunca houve qualquer erro”, disse ao CM o responsável, que sabe que o polícia tem direito a ter horários compatíveis com o da mulher e, afirma, “ninguém lhe quer tirar esse direito”. Quanto à possibilidade de haver creches na Polícia, o responsável disse ao CM “que seria uma iniciativa de lhe tirar o chapéu”.
PORMENORES
13H30
O polícia chega à esquadra de Arroios, na Divisão da Penha de França, com os dois filhos pela mão. Tinha um turno de sete horas para fazer, mas não tinha com quem deixar os dois filhos.
14H00
O oficial de serviço à Divisão soube do caso. Resolveu mandar o polícia para casa e com ordens de regresso no turno seguinte. A presença das crianças na esquadra seria prejudicial para todos.
19H30
Depois de deixar os dois filhos com a mãe – que terminara o turno ao serviço da esquadra do aeroporto – o agente regressou ao serviço, sem os filhos. O turno foi mudado como havia solicitado.
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