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Correio da Manhã

Portugal
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FILHOS PASSAM FOME

Um indivíduo moldavo está detido há cerca de oito meses no Estabecimento Prisional de Elvas em prisão preventiva. A mulher e os três filhos menores - duas raparigas, de 14 e 15 anos, e um rapaz, de oito - estão a passar sérias dificuldades, uma vez que ele era o único sustento da família.
6 de Julho de 2004 às 00:00
O CM soube, através de uma professora, que não se quis identificar, que "as crianças iam com fome para a escola, tendo uma das raparigas chegado a desmaiar". Durante as aulas, tomavam pequeno-almoço e almoço na escola, mas isso acabou. "Agora, com eles em casa, a questão da alimentação é mais complicada", realçou a mãe, Rita.
Em Portugal há um ano, a família do detido - que se encontrava no nosso País há quatro anos e trabalhava numa empresa, auferindo um ordenado de 600 euros - afirma não esperar esmolas, mas sim que a Justiça ande com maior rapidez. Rita, que na Moldávia era bancária (tem o curso de Contabilidade), afirma não se assustar com o trabalho.
Envergonhadas pela situação, mulher e crianças (que trabalham em períodos de férias escolares) ganham algum dinheiro no trabalho agrícola, "mas muito pouco". Bom seria, afirmam os miúdos, que a mãe arranjasse um trabalho melhor remunerado.
O marido, Feodor Pruten, está por seu lado desesperado. Já pensou fazer uma greve de fome e o suicídio passa-lhe também pela cabeça. Têm valido os conselhos do advogado que o representa.
SITUAÇÃO CRÍTICA
Os familiares do detido, que estão no País em situação ilegal, afirmam que ele é inocente e que foi apanhado no meio de uma confusão que ninguém percebe. "Ele só deu boleia a um cunhado meu que cá estava", explica Rita. "Ao chegarem ao local para onde ele levou o meu marido, apareceu a Judiciária. O meu cunhado fugiu, mas o Feodor, que não percebeu o que se estava a passar, ficou parado e foi preso. Viemos depois a saber que vai ser acusado de tentativa de rapto." O caso passou-se na zona de Estremoz no dia 13 de Outubro. De então para cá, filhos e mulher do detido têm vivido com imensas dificuldades.
Contactado o Ministério da Segurança Social para apurar os passos que serão dados na ajuda à família de Feodor Pruten, foi dito que o caso será estudado ao pormenor e que algo será feito para que a situação desta família melhore. "Tem que haver uma solução num caso destes", afirmou Jacinta Oliveira, assessora do ministro Bagão Félix.
JULGAMENTO DEVE ESTAR PARA BREVE
De acordo com o que o CM apurou, a Polícia Judiciária acabou a investigação há cerca de dois meses, tendo seguido então o processo para o Ministério Público. A acusação foi entretanto enviada ao advogado e ao detido pelo Ministério Público, devendo ser recebida por eles nos próximos dias. Assim, o julgamento também deve estar para breve, ainda que as férias judiciais possam vir a atrasar ainda mais o processo.
O caso envolve o rapto de um indivíduo de 18 anos, filho de um cidadão de Leste. A vítima terá sido libertada provavelmente por os seus raptores se terem apercebido de movimentações das autoridades, não tendo chegado a haver a entrega do resgate.
No âmbito deste processo foram efectuadas duas detenções, estando um terceiro indivíduo indicia- do, a aguardar julgamento em liberdade, e um outro em parte incerta.
O CM sabe que este crime, cuja moldura penal pode ir até aos oito anos de prisão, não está relacionado com as máfias de Leste, nem teve qualquer dos contornos violentos que muitas vezes surgem associados a esses casos.
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