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Correio da Manhã

Portugal
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FINGIU SEQUESTRO E VIOLAÇÃO

Uma jovem de 21 anos, natural da Aldeia de Casal Diz, Penalva do Castelo, fingiu ter sido vítima de sequestro, violação e homicídio na forma tentada. Objectivo: fazer com que o ex-namorado sentisse pena dela e reatassem a relação. Para tal, contou com a ajuda de um outro jovem, de 23 anos. Um e outro “foram constituídos arguídos pela presumível prática de simulação, punível, em abstracto, com a pena de prisão até um ano ou com pena de multa até 120 dias”, segundo um comunicado divulgado ontem pela PJ.
18 de Setembro de 2004 às 00:00
A história desenrola-se na noite de 16 para 17 de Abril deste ano. A rapariga sai de casa às 22h00 de sexta-feira (dia 16) e é descoberta às 01h00 de sábado, depois de o irmão ter recebido uma mensagem no telemóvel indicando o local onde se encontrava: um estaleiro de obras na aldeia de Ladário, concelho de Sátão. Estava inconsciente e com os pés e mãos amarrados com fita isoladora.
Depois contou às autoridades que foi sequestrada, violada e que a tinham tentado matar.
Após uma “complexa e morosa investigação” na sequência da denúncia, as autoridades concluíram que, afinal, se tratou de “uma simulação”.
CONFISSÃO
“Acabou por confessar que tinha sido esta a forma encontrada para tentar reatar a relação com um rapaz com quem namorou e de quem ela ainda gostava”, afirmou ontem, ao CM, Maria Augusta, mãe da rapariga.
“Foi encontrada inconsciente, porque tomou um comprimido que eu uso há já muitos anos para curar uma depressão”, explicou.
A alegada violação causou um grande alarme na aldeia, onde a jovem reside com a mãe e os irmãos. Agora, descoberta a verdade Maria Augusta garante que “todos os vizinhos têm demonstrado solidariedade” para com a sua filha.
Segundo esta mãe, a jovem “contou a verdade há cerca de um mês, quando confessou tudo à Polícia Judiciária, a conselho de um dos inspectores que investigou o caso”.
Na aldeia a rapariga é tida como sendo uma pessoa trabalhadora e bem comportada.
Em todo o processo a jovem contou com o auxílio de um amigo, um rapaz que Maria Augusta diz não conhecer e não habitar na localidade.
DISSE QUE NÃO SE LEMBRAVA
Na altura da alegada violação a jovem referiu ao CM que não se conseguia “lembrar de nada do que se passou” e que apenas se recordava de ter “parado o carro num local escuro” sendo de seguida abordada por várias pessoas que, explicou, “me adormeceram depois de me terem posto na cabeça um carapuço com um cheiro esquisito”. A jovem depois de ser encontrada no estaleiro, foi transportada ao hospital de Viseu e sujeita a exames médicos.
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