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Correio da Manhã

Portugal
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Fiscais e condomínio arguidos em tragédia

Famílias das vítimas mortais estão destroçadas.
Manuel Jorge Bento 21 de Maio de 2016 às 18:20
Derrocada de um muro na rua de Vilar, junto à Universidade do Minho, causou a morte de três estudantes
Derrocada de um muro na rua de Vilar, junto à Universidade do Minho, causou a morte de três estudantes FOTO: Hugo Delgado/Lusa
José Manuel Fernandes, gerente da J M Condomínios, o fiscal Afonso Tinoco e o chefe da Divisão Municipal de Fiscalização, António Gonçalves, foram ontem constituídos arguidos no processo sobre a queda de um muro que, a 23 de abril de 2014, ceifou a vida a três estudantes, junto à Universidade do Minho. A decisão do Tribunal de Braga prende-se com o requerimento de abertura de instrução que foi entregue pelas famílias das vítimas.

Só em junho terão lugar o debate instrutório e a respetiva decisão, sabendo-se aí se responderão, em julgamento, por homicídio por negligência. O mesmo será decidido em relação aos quatro estudantes já acusados pelo Ministério Público - André Marinho, Luís Paulo Pedro, José Pedro Monteiro e João Afonso -, que saltavam no muro na altura da tragédia.

Os Correios foram os primeiros a alertar o condomínio para a degradação daquela estrutura, por poder colocar em risco a integridade física dos carteiros. A Câmara de Braga foi avisada e o local vistoriado em 2010. Não foi alvo de qualquer intervenção até à tragédia que tirou a vida a João Pedro Vieira, Nuno Ramalho e Vasco Rodrigues.

"Dois anos volvidos, as famílias ainda não conseguiram fazer o luto. Mas acreditam que a justiça ainda será feita e que não serão apenas os colegas a responder pelas mortes", disse ao Correio da Manhã o advogado João Noronha. Alguns dos pais não conseguem sequer trabalhar e a mãe de uma das vítimas mantém-se isolada em casa.
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