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Correio da Manhã

Portugal
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Fogo ameaça aldeias

Um bombeiro ferido, o Itinerário Complementar n.º 8 (IC8) cortado, duas aldeias em perigo, moradores evacuados e o Plano Municipal de Emergência activado em Figueiró dos Vinhos era, ontem à noite, o balanço do incêndio de grandes dimensões que lavrava no Norte do distrito de Leiria, mobilizando, em pleno Outono, mais de 300 bombeiros.
7 de Outubro de 2005 às 00:00
“As coisas estão muito complicadas”, disse ao CM o presidente da Câmara Municipal de Figueiró dos Vinhos, Fernando Manata. O autarca reconhece as dificuldades no combate às chamas, sobretudo devido ao vento forte e às temperaturas elevadas. O incêndio ameaçava as aldeias de Ponte de S. Simão e de Azeitão – e obrigou à evacuação de locais onde estavam idosos e crianças.
Este fogo tinha deflagrado na quarta-feira em Favacal (Penela) e propagou-se ao concelho de Figueiró dos Vinhos, lavrando sem parar durante mais de 24 horas e forçando o corte de várias estradas municipais e do IC8.
Um bombeiro envolvido nas operações caiu do auto-tanque e foi transportado de helicóptero para os Hospitais da Universidade de Coimbra, mas teve alta horas depois.
Segundo Miguel Guimarães, 2.º comandante dos Bombeiros Voluntários de Figueiró dos Vinhos, a falta de acessos dificultou o combate e o relevo acidentado “fez progredir as chamas com muita intensidade”.
Seis meios aéreos participaram nas operações, que às 22h30 envolviam 320 bombeiros e 87 viaturas.
BOMBEIROS ATACAM FOGO EM MONCHIQUE
Um incêndio de grandes proporções lavrou, durante duas horas da tarde de ontem, na Serra de Monchique, Algarve. O incêndio, que deflagrou pelas 15h06, no Sítio de Cortes, consumiu uma área de mato e eucaliptal. De acordo com fonte dos bombeiros, a área ardida, apesar de indeterminada, “não é significativa”.
No ataque às chamas estiveram envolvidos um helicóptero, 14 viaturas e 52 bombeiros, de sete corporações; Monchique, Portimão, Silves, Aljezur, São Bartolomeu de Messines, São Brás de Alportel e Lagoa.
O incêndio foi considerado extinto pelo coordenador de operações no terreno cerca das 17h00, duas horas depois de ter sido emitido o alerta para o bombeiros.
MÃO CRIMINOSA DESTRÓ O PINHAL DO REI
O Pinhal do Rei, na Marinha Grande, foi ontem atingido por mais um incêndio de origem criminosa, o terceiro esta semana e o sexto desde o início do ano. Ao todo, desde 1 de Janeiro as chamas consumiram mais de 6,5 hectares na Mata Nacional de Leiria, até há pouco tempo conhecida por nunca arder.
As autoridades estão preocupadas. O incêndio de ontem, que deflagrou no Ponto Novo, perto de S. Pedro de Moel, foi o mais devastador até agora, destruindo 3,5 hectares de floresta. Para o delegado municipal da Protecção Civil, Artur Granja, trata-se de “uma situação anormal” resultante de interesses obscuros.
“Não temos dúvidas de que todos estes incêndios são de origem criminosa. Não se trata de interesses económicos ou imobiliários, porque os terrenos não são urbanizáveis. Poderá haver outras motivações que por enquanto desconhecemos”, afirmou Artur Granja.
A Polícia Judiciária de Leiria está a acompanhar o caso, tal como a GNR e os técnicos da Direcção-Geral de Recursos Florestais, havendo pelo menos um indivíduo referenciado junto do Ministério Público como suspeito de ter ateado alguns destes fogos.
Recorde-se que em 2003 um incêndio de grandes dimensões destruiu 2700 hectares da Mata Nacional de Leiria, causando prejuízos de cinco milhões de euros, mas os três jovens acusados, com idades entre os 18 e os 21 anos, foram absolvidos em tribunal por falta de provas. O sinistro de ontem deflagrou às 07h42 e mobilizou 115 bombeiros, 32 viaturas, um helicóptero pesado e dois aviões ligeiros.
Segundo Vítor Graça, comandante dos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande, as chamas “surgiram junto à estrada”, tendo a rapidez da intervenção permitido circunscrever o incêndio às 11h00.
Até ontem, os maiores fogos de 2005 no Pinhal do Rei tinham ocorrido em Agosto nas Pedras Negras e em Setembro perto do parque de campismo do Inatel.
RISCO ELEVADO
SERRA DA ESTRELA
O fogo que deflagrou quarta-feira ao fim da tarde no Parque Natural da Serra da Estrela, junto a Valhelhas, foi ontem dado como controlado pelas 15h00. Os trabalhos de rescaldo, numa área de pinhal, carvalhos e castanheiros, foram assegurados por 44 bombeiros. Também no distrito da Guarda, mas no concelho de Celorico da Beira, um fogo lavrou entre Velosa e Maçal do Chão.
NORTE E CENTRO
Esta sexta-feira o risco de incêndio é máximo no distrito do Porto e muito elevado em 10 distritos do Norte e Centro. Em Lisboa, Santarém, Portalegre, Évora, Beja e Faro o risco é elevado. As temperaturas mantêm-se altas.
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