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Correio da Manhã

Portugal
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Fogo em torre intoxica 12

O cheiro a queimado era ainda intenso ontem de manhã no interior da Torre 17 do Largo José Joaquim Cabecinha, em Setúbal – onde anteontem à noite um incêndio causou 12 feridos por intoxicação entre os moradores do prédio de doze andares. As paredes, tingidas de negro, lembram o susto. Os vasos partidos provam o pânico de uma evacuação apressada. Lígia, o marido e os dois filhos (de dois e seis anos), ficaram sem apartamento para morar devido a um incêndio que teve origem no quarto das crianças. Felizmente, estavam todos no café quando as labaredas começaram no 6.º B.
15 de Dezembro de 2007 às 00:00
"Eu já estava de pijama quando me avisaram que tinha de sair do prédio por causa de um incêndio no meu piso. Fui logo chamar os donos da casa ao café”, conta ao CM Cecília Godinho, porteira, que apesar de viver no 6.º D não teve a casa afectada.
Segundo a dona do apartamento destruído contou a Cecília, quando o casal saiu com os filhos “não deixaram aquecedores nem o fogão ligados”. Apenas duas luzes (apliques de parede) no quarto das crianças. “Ela desconfia que tenha ficado roupa em cima das luzes e que isso tenha originado o fogo. O que eu sei é que a casa ficou um caos, está tudo derretido”, conta ao CM.
O susto que Cecília apanhou é semelhante ao dos vizinhos do 7.º andar, que viram as labaredas entrarem pelo quarto. Evangelina Mendão, de 52 anos, tinha acabado de chegar do trabalho quando lhe cheirou a queimado. Em menos de nada os bombeiros ordenaram que abandonasse a casa. Evangelina saiu com os filhos e os dois cães. O marido, António, ficou para trás. “Sem entrar em stress fechei as portas, desliguei o contador da luz e o gás. Quando saí, já tive de ir de rastos por causa do fumo”, conta ao CM.
Na rua, é que se aperceberam da gravidade da situação. O quarto do casal – por cima do das crianças de Lígia – estava a ser invadido pelas chamas. “Felizmente o fogo entrou pela nossa janela e só destruiu os cortinados e deixou a casa toda preta. Mas o seguro da vizinha vai pagar os estragos”, refere António Mendão.
FAMÍLIA NA RUA APÓS CHAMAS EM VIVENDA
Uma família de quatro pessoas ficou ontem desalojada depois de a vivenda de dois pisos onde residiam, na Rua da Alegria, no centro histórico de Setúbal, ter ficado parcialmente destruída devido a um incêndio. O sinistro deflagrou por volta das 22h50, desconhecendo-se ontem as origens do mesmo. “O incêndio foi dado como extinto às 23h40, não provocou danos estruturais no imóvel, mas a casa ficou sem condições de habitabilidade”, disse o comandante dos Bombeiros Sapadores de Setúbal, Mário Macedo à agência Lusa. Os dois adultos e as duas crianças não ficaram feridas e vão ter, a partir de hoje, uma outra habitação para morar enquanto se procedem às obras de restauro na vivenda que ardeu. No combate às chamas estiveram 19 bombeiros e cinco viaturas.
PRÉDIO QUE EXPLODIU EM OBRAS
O prédio que viu três andares desfeitos por causa de uma explosão de gás na tarde do passado dia 22 de Novembro, em Montebelo Norte, Setúbal, continua inabitável e em obras. O coordenador de segurança da obra, Marcelo Lima, afirmou ontem ao CM que a parte dos trabalhos relativa à demolição já está concluída. “Até ao meio da próxima semana vamos colocar uma estrutura metálica nos 10.º, 11.º e 12.º pisos para sustentar aquela parte do edifício. Depois já podem ser feitas as obras de reconstrução das paredes”, disse ao CM. Ainda não se sabe quando é que os moradores podem voltar a casa, mas a partir da semana que vem a comissão de moradores já pode contratar um empreiteiro. No local, há também um aviso, colocado na quarta-feira, a alertar os moradores para pedirem às seguradoras que tratem da reposição das portas e janelas destruídas pela explosão. Recorde-se que o incidente provocou ferimentos a 40 pessoas.
SAIBA MAIA
12 moradores, idosos e crianças, tiveram de ser assistidos pelo INEM por terem ficado intoxicados pelo fumo. Segundo a vizinhança, alguns miúdos entraram em pânico por causa das chamas.
2 pessoas receberam tratamento hospitalar, uma por suspeita de uma eventual fractura no tornozelo e outra por estar grávida.
FORA DE RISCO
O incêndio destruiu a habitação da família de Lígia por completo mas não afectou a estrutura do prédio, não havendo qualquer problema de segurança no edifício de 12 andares.
FAMILIARES
Por opção própria ficaram em casa de familiares”, diz ao CM, Mário Macedo. A Segurança social tinha sugerido que ficassem num hotel, mas decidiram ficar em casa de familiares.
JANELAS RETIRADAS
Para permitir a saída do fumo acumulado entre os 6.º e o 1.º pisos, os bombeiros foram obrigados a retirar as janelas da caixa das escadas.
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