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Correio da Manhã

Portugal
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Fogo mortal arquivado

O arquivamento pelo Ministério Público da Guarda do inquérito ao incêndio negligente, que em Julho passado causou a morte a cinco sapadores chilenos e a um bombeiro português, não surpreendeu os presidentes da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) e da Associação Portuguesa dos Bombeiros Voluntários (APBV). No entanto, alertam para a necessidade de se continuar a investir no conhecimento dos fogos e na sua prevenção.
21 de Abril de 2007 às 00:00
O fogo deflagrou em Julho de 2006 em Famalicão da Serra
O fogo deflagrou em Julho de 2006 em Famalicão da Serra FOTO: Paulo Novais, Lusa
O Procurador do Ministério Público da Guarda concluiu que o fogo que deflagrou em Famalicão da Serra, no distrito da Guarda, teve origem “meramente acidental” e aconteceu “durante a realização de trabalhos de limpeza” de um terreno privado.
No dia em que o incêndio deflagrou, a GNR deteve o presumível autor, um jovem de 18 anos, na posse da motoroçadora que, ao tocar com a lâmina numa pedra, libertou uma faísca que causou as chamas. O jovem foi constituído arguido, enquanto o proprietário dos terrenos, um engenheiro florestal, que contratou o jovem para limpar o olival, foi ouvido como testemunha.
Para Duarte Caldeira, presidente da LBP, a decisão conhecida ontem não causou surpresa, pois já o inquérito dos peritos técnicos apontava para a não existência de responsabilidades técnicas e operacionais que pudessem ser imputadas a alguém.
“Nós entendemos que todos os acidentes e incêndios dos quais resultem vítimas devem ser matéria de análise e estudo para se retirarem ensinamentos”, explicou o presidente da LBP, salientando que “o comportamento do fogo carece de ser aprofundado para que possa haver um conhecimento o mais apurado possível da sua progressão”.
Por seu lado, Paulo Jesus, presidente da APBV, alerta para a necessidade de uma “aposta forte” em acções de prevenção e de sensibilização da população para a forma como é feita a limpeza das matas. “Tem de haver cuidado senão o fogo vai ser sempre acidental”.
"A CULPA VAI MORRER SOLTEIRA"
O presidente da Junta de Freguesia de Famalicão da Serra, António Fontes, não esperava o arquivamento do inquérito ao fogo e deixa um desabafo: “A culpa acaba por morrer solteira, embora haja que lamentar as mortes”.
Já o comandante dos Bombeiros Voluntários de Gonçalo, Orlindo Cabeças, que coordenou o combate ao fogo, entende que não era de esperar outra decisão: “Castigar o rapaz seria uma injustiça, o dono do terreno é que devia ser chamado à responsabilidade, pois é o único culpado”.
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