Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
4

FOGO TIRA TECTO A CINCO

Um curto-circuito poderá ter estado na origem do incêndio que ontem desalojou os cinco hóspedes de um imóvel da zona histórica de Lisboa. A responsabilidade do realojamento das vítimas do fogo cabe agora à proprietária do imóvel, que o transformou em hospedaria improvisada.
3 de Junho de 2003 às 00:00
FOGO TIRA TECTO A CINCO
FOGO TIRA TECTO A CINCO FOTO: Manuel Moreira
Os primeiros raios de sol na Rua de São Bento foram ontem recebidos com o alerta de fogo. O n.º 482-A, um imóvel camarário a escassos 500 metros da Assembleia da República e alugado a uma mulher, havia sido tomado pelas chamas, obrigando à retirada imediata dos cinco hóspedes e dos moradores das casas contíguas.
Pedro Nascimento foi uma das pessoas momentaneamente desalojadas pelo fogo. Residente no 1.º andar do n.º 480, o jovem foi "obrigado a sair de casa", quando as chamas começaram a ameaçar a sua segurança e a da mulher.
De facto, a violência das chamas vindas do 482-A obrigou à intervenção imediata de dez homens do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, auxiliados por três viaturas.
Durante cerca de 40 minutos, o incêndio foi alvo de um combate em várias frentes, que acabou por conduzir à sua completa extinção, pelas 07h30.
No entanto, os problemas mais graves vieram a seguir, com as operações de rescaldo do fogo que então se iniciaram. Por entre peças de roupa, livros, móveis e outros haveres dos moradores afectados pelo incêndio, técnicos da Unidade de Projectos de São Bento, órgão camarário responsável pela gestão daquela área, depressa perceberam que o imóvel, palco do incêndio, estava em situação de manifesta ilegalidade.
"A inquilina do imóvel é uma mulher que já nem sequer lá residia, tendo-se mudado para Sobral de Monte Agraço. No entanto, a casa tinha sido por ela subalugada a cinco pessoas, que lhe pagavam renda", contou ao CM uma fonte da Direcção Municipal de Protecção Civil.
A juntar a este facto, já desde há muito que o imóvel havia sido entaipado, também por ordem camarária, devido ao manifesto perigo de derrocada e incêndio que apresentava.
"Em suma, a Câmara não sabia que o imóvel se encontrava em situação de subaluguer, e por isso, não tem responsabilidades pelo realojamento das cinco pessoas que perderam o tecto", referiu o mesmo responsável.
Assim, e de acordo com a fonte ouvida pelo nosso jornal, "não estão reunidas condições para que o 482-A da Rua de São Bento volte a ser habitado, tendo por isso sido decidido que o imóvel vai ser emparedado por tempo indefinido".
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)