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Correio da Manhã

Portugal
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FOGOS ESCONDIAM FURTOS

Cinco jovens suspeitos da autoria de mais de uma dezena de incêndios em espaços florestais e rurais, em viaturas e edifícios, ocorridos nos últimos meses no Baixo Mondego, foram detidos pela Polícia Judiciária de Coimbra, no âmbito da ‘Operação Rescaldo’, que decorre de uma complexa investigação, ainda a decorrer.
24 de Agosto de 2004 às 00:00
Segundo apurámos, os cinco presumíveis incendiários, do sexo masculino, com idades entre os 21 e os 27 anos, agiam habitualmente em grupo, embora variando o número de intervenientes e as motivações, o que determinou a complexidade da investigação.
Os investigadores aperceberam-se das “conexões interpessoais” entre os cinco indivíduos, que tinham como “denominador comum” a prática de vários incêndios, mas formavam um “grupo atípico” em termos de funcionamento, conjugando “várias motivações” para justificar a prática dos crimes.
Um dos principais objectivos dos presumíveis incendiários era a “tentativa de dissimular, através do fogo, crimes de furto, em viaturas e edifícios, em especial lojas. Mas noutros casos, os incêndios – sempre ateados durante a noite – resultavam de retaliações ou vinganças contra pessoas em concreto. Os investigadores acreditam que havia ainda uma terceira motivação: “vandalismo puro”.
“É nossa convicção que aproveitavam a protecção da noite para lançar incêndios de relevo, que tanto podiam ter como alvo uma mata como um caixote de lixo”, disse ao CM Carlos Farinha, coordenador de Investigação Criminal da Polícia Judiciária de Coimbra.
Segundo Carlos Farinha, as investigações estão “longe de estarem fechadas”, por isso “não há uma ideia definitiva” do número de crimes, admitindo-se que se trate de “mais de uma dezena de situações”, atingindo os prejuízos “valores consideravelmente elevados”.
Os crimes foram praticados nos últimos meses, nas proximidades dos locais de residência dos jovens, no Baixo Mondego, em especial nos concelhos de Montemor-o-Velho, Soure e Figueira da Foz.
Os cinco presumíveis incendiários foram presentes a interrogatório judicial e dois deles encontram-se em prisão preventiva a aguardar julgamento, enquanto os outros três foram enviados em liberdade, mas com a obrigação de se apresentarem todas as semanas no posto da GNR da sua área de residência. As medidas de coacção aplicadas pelo juiz poderão estar relacionadas com o grau de responsabilidade de cada elemento do grupo. Os dois jovens que se encontram em prisão preventiva e um terceiro têm antecedentes criminais, pela prática de outros crimes de fogo posto e furtos.
PORMENORES
COMPONENTES
Durante as buscas domiciliárias realizadas no âmbito da ‘Operação Rescaldo’, a Polícia Judiciária de Coimbra apreendeu componentes de viaturas, subtraídas pelos autores previamente à ignição dos incêndios.
COMBUSTÍVEL
Os cinco presumíveis incendiários utilizavam, entre outros produtos, combustível furtado para atear os fogos. Por vezes também furtavam combustível para usar nas viaturas em que se deslocavam.
COLABORAÇÃO
No desenvolvimento da ‘Operação Rescaldo’, desencadeada na semana passada mas só ontem anunciada, a Polícia Judiciária de Coimbra contou com
a colaboração de militares de vários postos da Guarda Nacional Republicana.
DETENÇÕES
Desde o início do ano, foram detidas pelas autoridades policiais 46 pessoas em todo o País, por suspeita de fogo posto, na maioria dos casos em espaços florestais ou rurais. A maior parte dos incendiários - 34 - foi detido durante este último mês.
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