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Correio da Manhã

Portugal
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FOGUETE FERE TRÊS CRIANÇAS

O rebentamento de uma bomba, que sobrou do fogo-de-artifício das festas do passado fim-de-semana na aldeia de Marmelar, Vidigueira, feriu ontem três crianças, de oito e nove anos, quando brincavam com o pequeno engenho explosivo, utilizado para o lançamento dos foguetes, nas traseiras da Escola Primária da localidade.
20 de Agosto de 2002 às 22:02
Depois de assistidas às ligeiras escoriações e queimaduras nos braços e na face no serviço de urgências do Hospital de Beja, duas das vítimas, Ricardo Punilhas e Mariano Pegas, ambos com nove anos, regressaram ainda durante o dia de ontem a casa. A outra criança, José Pestana, de oito anos, com ferimentos ligeiros de queimaduras numa perna e na cara, irá ficar na referida unidade de saúde sob observação durante alguns dias.

O acidente ocorreu pelas 10h30, hora em que foi sentida uma forte explosão. “As crianças estavam cheias de sangue e foram assistidas aqui até à chegada dos bombeiros”, comentavam os populares no café do tio do ferido mais grave.

“Eles eram quatro, que são sempre os que andam juntos tanto na escola como fora dela. O Daniel, de sete anos, irmão do Mariano, escapou porque tem medo dos foguetes e fugiu antes de terem puxado fogo à bomba com um isqueiro", referiu ao Correio da Manhã o proprietário do café, António Charrito.

Tanto os membros da organização das festas em honra de Santa Brígida, como familiares das vítimas não sabiam onde as crianças foram encontrar a bomba. "Todo o espaço foi limpo pela empresa responsável pelo fogo-de-artifício. Na segunda-feira, eu e outras mulheres do serviço de limpeza estivemos aqui e voltámos a limpar. No entanto, encontrámos algumas bombas por rebentar", disse Ana Teresa, mãe do Ricardo, uma das crianças feridas.

Responsabilidades

Neste tipo de espectáculo, algumas bombas acabam sempre por se perder. Contudo, a Comissão de Festas garantiu que a empresa limpou toda a área onde foram instalados os engenhos. "Mesmo assim, algumas das bombas, que são inseridas nos canhões para disparar os foguetes, devem ter ficado perdidas", salientou um dos membros da organização, Américo Palma. João André, outro membro, referiu que a "comissão vai contactar a empresa para ver até que ponto são os responsáveis". A GNR vai instaurar um inquérito.

Bombas escondidas

As festas em honra de Santa Brígida, em Marmelar, tiveram como um dos pontos altos o espectáculo de fogo-de-artifício, que se realizou na madrugada de domingo, pelas 02h30, nas traseiras da Escola Primária. Ana Teresa, mãe de Ricardo, uma das vítimas do acidente, disse que enquanto limpava esse espaço da escola foram encontradas algumas bombas, cinco das quais escondidas num buraco do casco de uma oliveira."Podem ter sido eles que as esconderam e depois ficaram com uma ou duas. Não sabemos o que aconteceu", concluiu.
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