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Correio da Manhã

Portugal
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Foguetes perigosos

O tempo seco que se tem feito sentir neste Inverno ameaça condicionar os festejos da Páscoa, sobretudo no Norte do País, devido ao elevado risco de incêndio que representa o lançamento de foguetes. A legislação impõe regras de segurança e vários procedimentos burocráticos, mas os bombeiros reconhecem que “são impossíveis de respeitar” e também “ninguém os cumpre”.
11 de Março de 2005 às 00:00
Festas e romarias com fogo-de-artifício só com bombeiros perto
Festas e romarias com fogo-de-artifício só com bombeiros perto FOTO: Hugo Correia
“Isto vai ser o pandemónio. Se não se fizer nada rapidamente, vai ser uma confusão de incêndios e pouco ou quase nada poderemos fazer”, alertou ontem ao CM José Dias, subcomandante dos Bombeiros Voluntários de Terras de Bouro, realçando que “está tudo seco” e que as festas com foguetes são inúmeras, porque acontecem em quase todas as terras em simultâneo.
Como manda a tradição no Norte do país, o lançamento de foguetes é uma quase constante ao longo de toda a visita pascal, enquanto o compasso – que integra a Cruz de Cristo e o grupo de acompanhantes – entra nas residências em todas as aldeias e até zonas urbanas.
A legislação em vigor só permite o lançamento de foguetes a 500 metros de habitações e com a presença de uma cisterna e mecanismos de rápida intervenção em caso de acidente. Exige também autorizações do pároco, Junta de Freguesia, Câmara Municipal, Governo Civil, Bombeiros e GNR.
No entanto, como sublinha o comandante dos Bombeiros de Vila Verde, Arlindo Sousa, “ninguém respeita as regras, até porque é impossível cumpri-las”.
Sublinha ainda que o trabalho burocrático é tão grande, que a multa por incumprimento até compensa, porque ronda os 200 euros.
“Temos uma lei que até é recente, mas não deixa de ser excessivamente complicada e desajustada”, comentou Arlindo Sousa, anotando que “é impossível proibir alguém que, na Páscoa, não lance foguetes a menos de 500 metros, porque eles até das varandas das casas são lançados”.
O terrabourense José Dias – que tem a seu cargo a serra do Gerês – defendeu mesmo que “o ideal seria romper definitivamente com a tradição do lançamento de foguetes em recaída incandescente e proibir isso de forma geral”, considerando que é impossível garantir a segurança perante um quadro como o da Páscoa, que ocorre dentro de três semanas.
“A vegetação está seca, há falta de água e humidade, muito vento e foguetes para o ar constantemente e de todos os lados, porque, além da pirotecnia dos mordomos de cada freguesia, são inúmeros os particulares a lançarem foguetes das suas casas”, descreveu.
Também os serviços municipais de Protecção Civil vieram já a público alertar as populações para a actual situação de risco e para a implementação das normas de segurança normalmente vigentes nos picos de calor do Verão, realçando ainda a proibição de queimadas, que estão sujeitas a coimas e que originaram já um elevado número de fogos nos últimos meses.
A Câmara Municipal de Amares emitiu um comunicado onde avisa que “a vigilância será apertada, em nome da defesa do ambiente, do património natural e da segurança pública”. E promete que “quem não respeitar as proibições sujeita-se a coimas a partir de 500 euros”.
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