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Correio da Manhã

Portugal
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FOI UMA FATALIDADE QUE ACONTECEU AOS MENORES

Alexandre Oliveira, o menor de 15 anos, de Loulé, atingido no peito, por uma bala de caçadeira disparada por um amigo de 14 anos, foi ontem (14h30) evacuado, por via aérea, para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa. O seu estado é considerado muito reservado depois de lhe ter sido extraído um pulmão.
24 de Agosto de 2004 às 00:00
A tragédia vivida na tarde do passado domingo, no sítio do Pombal, da freguesia de Querença (Loulé), deixou chocada a população daquela localidade do interior algarvio.
Na casa do menor, presumível agressor, o ambiente é, muito naturalmente, de consternação. A Natalino Viegas, pai do adolescente, ainda lhe custa acreditar no que sucedeu.
“Sou caçador e tenho três espingardas em casa. Estão guardadas numa arrecadação e, julgava eu, em completa segurança”, explica Natalino Viegas, que não compreende como o filho foi buscar uma caçadeira semi-automática para mostrar ao amigo: “Ele nunca gostou de armas. Uma vez ainda o levei comigo na caça às rolas, mas nunca mais quis ir e, em casa, nunca mexeu em nenhuma arma”, garante.
Quis o destino que o menor tivesse escolhido a única das três que estava carregada: “Tenho sempre cuidado de descarregar as armas e pensava ter tirado os três cartuchos daquela caçadeira que não utilizava há dois anos. Afinal, estava lá um cartucho de bala para javalis”, afirma Natalino Viegas, a quem o filho já contou como tudo se passou: “Viram um filme na televisão e o meu filho disse ao amigo que o pai tinha uma arma igual. Subiu à arrecadação e chegou com a arma. Puxou a culatra, sem saber o que estava a fazer, e a arma disparou-se. Foi o destino, logo o meu filho que nem com pressões de ar brincava”, afirma, triste, o pai do menor.
QUESTÕES
ESTUDANTES
Os dois menores eram os melhores amigos. Estavam sempre juntos e frequentaram, no ano passado, o 9.º ano de escolaridade, mas tiveram sortes diferentes. O baleado chumbou e o amigo, presumível agressor, passou para o 10.º ano.
TRAGÉDIA
A irmã do menor agressor está grávida de nove meses. Por isso, Carina Viegas não acompanhou os pais num casamento no Alentejo, mas não assistiu à tragédia. Tinha ido buscar o almoço para os três e ficou muito abalada.
AJUDA
O presidente da Junta de Freguesia de Querença, Manuel Viegas, já contactou a Câmara de Loulé para ser disponibilizado apoio psiquiátrico ao jovem agressor. O menor pouco come e não sai do quarto desde que aconteceu o drama.
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