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Correio da Manhã

Portugal

FORÇAS POLICIAIS NÃO TROCAM INFORMAÇÕES

A necessidade de criação de uma base de dados comum às diversas forças policiais foi ontem apontada ao Correio da Manhã por vários elementos a elas ligados.
2 de Julho de 2002 às 23:52
Esta reclamação surge na sequência das comemorações dos 135 anos da PSP, que ontem tiveram lugar e onde vários agentes foram condecorados, pelas acções em serviço.

Dirigindo-se às forças da PSP em parada junto ao Mosteiro dos Jerónimos, o Ministro da Administração Interna, Figueiredo Lopes, assegurou a vontade do Governo em mudar o panorama das forças de segurança em Portugal, em quatro vectores principais. O governante adiantou ser seu propósito “implementar uma estratégia nacional de prevenção e combate à criminalidade, reorganizar os serviços e as forças de segurança, aprovar uma estratégia global de planeamento de meios necessários, e a introdução de critérios de gestão de recursos humanos”.

Banco de dados

No entanto, e segundo contactos feitos pelo nosso jornal, estas medidas esquecem o grande problema das forças de segurança portuguesas, que é o da troca de informações consubstanciada num banco de dados comum.

Recentemente, esta questão ficou clara durante as investigações da morte do agente da PSP Felisberto Silva, na Damaia, quando ‘Pepa’, um dos suspeitos do crime, foi identificado com duas fotos distintas, apresentadas pela PSP e Polícia Judiciária. Para evitar a repetição de situações como esta, várias fontes policiais adiantaram ao nosso jornal a necessidade da criação de uma base de dados comum às forças de segurança, consagrada à investigação criminal.

“Há indivíduos indiciados pela prática de um crime por uma polícia, mas não pelas outras. Se os mesmos sujeitos insistissem na prática criminal, seria mais fácil a sua detenção se todas as forças policiais tivessem acesso a informações sobre os respectivos cadastros”, explicou-nos uma das fontes. De facto, aquilo que as forças de autoridade pedem não é que “se fiche todos os cidadãos”, mas sim que se facilite o acesso a informações relativas a indivíduos que se dediquem ao crime.

E a aproximação de uma competição como o Campeonato da Europa de Futebol, em 2004, “reforça a necessidade da implementação desta coordenação”, concluiu outra das fontes.

Para alguns sectores será mais fácil constituir um banco de dados comum entre a GNR e a PSP, uma vez que dependem do mesmo ministério. Mas o mesmo não se passa quanto à PJ, que depende da Justiça.
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