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Correio da Manhã

Portugal

Frigoríficos no Inverno e estufas no Verão

Custam muito dinheiro, mas nem por isso são confortáveis. Mais de um terço das 34 casas novas, em Lisboa e no Porto, inspeccionadas pelos técnicos da associação de defesa dos consumidores Deco/Proteste são geladas no Inverno e escaldantes no Verão. A culpa é atribuída aos projectistas e construtores, que não se preocupam com o conforto térmico, assim como às câmaras municipais, que não fiscalizam.
16 de Dezembro de 2004 às 00:00
Foram inspeccionadas 34 casas em Lisboa e no Porto. Mais de um terço apresentava defeitos
Foram inspeccionadas 34 casas em Lisboa e no Porto. Mais de um terço apresentava defeitos FOTO: Luís Forra
A edição de Janeiro da revista ‘Proteste’ aponta, entre os principais defeitos detectados, a má instalação dos equipamentos de climatização. Num terço das casas foram encontrados aparelhos que só servem para aquecer uma divisão. A situação mais caricata diz respeito à instalação da unidade exterior do ar condicionado... na lavandaria.
A maioria das casas apresentava janelas bem isoladas. Apenas em três as folgas entre o vidro e a calha eram significativas. Os técnicos encontraram, porém, muitas casas com as divisões orientadas erradamente.
“Tal revela que os construtores estão mais preocupados em preencher a área do piso, ignorando o conforto, o que obrigaria a construir menos habitações e a aproveitar o espaço de modo mais eficiente do ponto de vista energético”, aponta o artigo.
MAU ISOLAMENTO
Quanto aos materiais de isolamento, detectaram-se “defeitos nas zonas de contacto entre as paredes e o tecto”, pois o construtor não corrigira a ponte térmica entre a placa de betão do tecto e a da fachada. Resultado: fugas de calor. Em duas casas foi até possível observar o contorno dos tijolos, de tal modo era fina a camada de reboco. Noutra a humidade da parede da cozinha prolongava-se pelo tecto e pela sala de estar, o que indicia descontinuidade na aplicação dos materiais de isolamento.
Nestas circunstâncias as habitações dificilmente poderão ser aquecidas sem desperdício de energia.
O desperdício pesa na carteira. Segundo os técnicos da Deco/Proteste, a família que vive na casa em piores condições poderia poupar 54 euros na conta da luz, durante o Inverno, se fosse aplicado um bom isolamento na cobertura.
"A LEI É POUCO EXIGENTE"
“Em Portugal, o conforto térmico ainda não é uma prioridade dos construtores”, alerta a Deco/Proteste. “Está nas mãos do Governo, das câmaras municipais, dos projectistas e dos construtores alterar este cenário.” Segundo a associação de defesa dos consumidores, “a lei é pouco exigente, permite licenciar edifícios sem a prova concreta de que cumprem as regras mínimas de conforto e não obriga à execução de auditorias”.
O actual regulamento está a ser revisto desde 2002 com o objectivo de eliminar incorrecções. A nova redacção aguarda a aprovação do Governo. O processo poderá sofrer atrasos, tendo em conta a situação política do País. É esperada uma interligação entre o regulamento e a futura certificação energética de edifícios, que será obrigatória para os novos e todos os que sofram obras importantes de reabilitação.
A Deco/Proteste incita o consumidor a valorizar o conforto térmico, “bem mais importante para a sua carteira do que outros aspectos tão anunciados pelos vendedores, como os acabamentos ditos de luxo”.
ANTES DE COMPRAR
ENSOMBRAMENTO
Veja se as fachadas da casa recebem sombra de outros prédios, elevações do terreno ou vegetação de grande altura.
ORIENTAÇÃO
O ideal é que divisões como a sala tenham uma orientação a Sul e elementos de sombreamento adequados (estores e toldos, por exemplo). A orientação dos quartos a Leste torna-se mais confortável.
EQUIPAMENTOS
Importa verificar o tamanho dos radiadores do aquecimento central. Se a divisão for grande, um radiador pequeno não poderá aquecê-la. Um radiador grande é desadequado numa cozinha, onde existem muitas fontes de calor (como o fogão).
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