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Correio da Manhã

Portugal
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Fuga de Miguel acaba no Algarve

Mais magro, cheio de frio e exausto. Foi desta forma que Vasco Ferreira, de 49 anos, descreveu ao CM o estado em que encontrou Miguel Arês, cerca das 12h30, agachado junto a uma estrada desactivada perto de Faro. Incrédulo por ter acabado de ler a notícia publicada ontem no nosso jornal, ligou para a mãe do estudante de 19 anos que tinha sido visto pela última vez na sexta-feira, em Lisboa. "Era ele."
27 de Novembro de 2008 às 00:30
Miguel não tinha contado ontem à noite como chegara ao Algarve e por onde passou nos últimos cinco dias. Foi encontrado por Vasco Ferreira graças à notícia publicada ontem no ‘CM’.
Miguel não tinha contado ontem à noite como chegara ao Algarve e por onde passou nos últimos cinco dias. Foi encontrado por Vasco Ferreira graças à notícia publicada ontem no ‘CM’. FOTO: Algarvephotopress

A descrição dada a Teresa Costa Campos, incluindo da roupa e da cor do cabelo, correspondia na perfeição ao jovem desaparecido e a família partiu de imediato para o Algarve. Ontem à noite, Tiago já estava de regresso a Lisboa e "a descansar na casa de familiares", para onde foi levado, adiantou a mãe ao CM. Teresa Campos, por sua vez, continuava na casa da Parede (ver caixa).

Segundo a descrição de Vasco Ferreira, "o Miguel estava agachado à beira de uma estrada desactivada na zona das Pontes do Marchil, à entrada de Faro". Quem viu primeiro o jovem foi o irmão de Vasco, António José, que estava num terreno, propriedade da família na zona – mas foi Vasco a aproximar-se de Miguel.

"Perguntei-lhe de onde é que era e ele disse que era de Faro, mas não disse de que zona", continua Vasco Ferreira. "Voltei ao carro e peguei no CM para ver a fotografia dele outra vez. ‘Tu és o Miguel, não és?’, perguntei-lhe, mas já não me respondeu."

Enquanto Miguel fumava um cigarro, Vasco ligou para o 112 e a PSP de Faro recolheu o jovem até à chegada da família à esquadra. "Na mochila não tinha livros da escola, só uma garrafa de água", acrescenta, "mas nunca tentou fugir. Mesmo quando chegou a PSP esteve muito calmo e quase sempre calado". Ao que o CM apurou, Miguel Arês viajou de Lisboa até ao Algarve de comboio. Desconhece-se quando o fez e se foi ajudado ou obrigado. Os colegas de escola negaram auxílio na fuga que terminou ao fim de cinco dias.

MORTE DO AVÔ ALTERA JOVEM RESERVADO

Miguel Arês cresceu no Gavião, distrito de Portalegre, até que os pais se separaram quando tinha 12 anos. Foi com a mãe e o irmão mais velho para a Parede, concelho de Cascais, e frequentou o Colégio Maristas de Carcavelos e o Liceu de Oeiras, mas dois chumbos consecutivos causaram uma grande desmotivação ao jovem agora com 19 anos. No final do 9º ano foi para Oxford, em Inglaterra, tendo regressado a Portugal a meio do ano lectivo. A morte do avô paterno mudou tudo. A família recorda essa fase como um "período desastroso". Até então reservado, Miguel passou a ter um comportamento problemático e chegou a consumir haxixe. O apoio psicológico, a psicoterapia familiar – desde Janeiro – e o ingresso na ETIC estavam a melhorar a vida de Miguel. Até sexta-feira.

"NÃO QUER DIZER ONDE ESTEVE, VAMOS ESPERAR"

De acordo com a mãe de Miguel Arês, o jovem estudante "está bem de saúde. Ele agora só precisa de mimo e atenção", contou ao CM, enquanto viajava na companhia dos dois filhos e do ex-marido já de regresso a Lisboa.

"Para já não quer dizer onde esteve, mas o mais importante é que ele está de volta a casa. Vamos esperar que se sinta à vontade para contar o que se passou. Para já, vamos apenas protegê-lo e tentar que a vida dele volte à normalidade", disse Teresa Costa Campos.

Miguel chegou ontem à Parede mas acabou por passar a noite a casa de familiares.

PORMENORES

MERO ACASO

Vasco Ferreira foi ter com o irmão a um terreno que têm na zona das Pontes do Marchil. "Por acaso falámos ao telefone e ele disse-me para ir lá ter", explica Vasco. Foi quando viu Miguel agachado na berma da estrada desactivada.

70 EUROS NO BOLSO

Quando saiu de casa, na sexta--feira de manhã, Miguel Arês não levou telemóvel nem cartão multibanco. A mãe diz que essa situação era normal e que o jovem "só tinha 70 euros no bolso" quando desapareceu.

 

 

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