A morte devido ao tabaco atingiu dois terços dos fumadores que nasceram na década de 20. Os risco resultante do tabaco são assim ainda maiores do que até hoje se pensava, revela um estudo britânico, iniciado há 50 anos.
Os cigarros reduzem a vida do fumador em dez anos. Mas nunca é tarde para parar. Deixar de fumar em qualquer idade diminui os risco de morrer por causa deste hábito, concluíram também os responsáveis deste estudo que avaliou as consequências do tabagismo em 34 439 médicos durante cinco décadas.
Um dos autores dos dados agora avançados é Richard Doll (hoje com 91 anos de idade) que na edição de 26 de Junho de 1954 do British Medical Journal confirmava a ligação entre fumar e o cancro do pulmão num trabalho conjunto com o investigador Bradford Hill. Meio século depois, Doll e o professor Richard Peto, da Universidade de Oxford apresentaram os últimos dados recolhidos desse estudo. E os resultados são seriamente preocupantes para os fumadores.
“O estudo sugere que há uma diferença de dez anos entre a sobrevivência total dos fumadores prolongados e as pessoas que nunca tiveram esse hábito”, sublinhou Doll. “Contudo, isto não quer dizer que todos os fumadores têm menos dez anos de vida. Cerca de metade nem morre deste hábito, mas, em média, os fumadores perderão mais de dez anos da esperança de vida do que alguém que não fuma”, esclareceu. Cancro, doenças pulmonares e vasculares serão as causas de morte para a maioria dos fumadores, segundo este trabalho. Cerca de 25 por cento dos óbitos ocorrerá entre dependentes do tabaco com idades compreendidas entre os 35 e os 69 anos.
Doll, que fumou durante 19 anos, tinha inicialmente previsto trabalhar neste escudo durante cinco anos, mas os primeiros resultados foram tão intrigantes que cinquenta anos depois é divulgado um novo estudo.
“Deixei de fumar aos 37 anos, quando vi os resultados do nosso estudo. Estes convenceram-me rapidamente”, disse Richard Doll, hoje com 91 anos.
Segundo estes dados, metade dos fumadores que nasceram entre 1900 e 1909 faleceram por culpa do tabaco. Na geração seguinte de médicos (aqueles que nasceram nos anos 20 e que tinham um hábito mais forte, iniciado ainda numa idade muito jovem, com 18 anos, quando integravam as colunas de militares presentes na Segunda Guerra Mundial) os resultados foram ainda mais alarmantes do que se pensava: dois terços dos fumadores morreram por culpa do vício do tabaco.
Nos anos 50, com o aparecimento de campanhas que alertam para os perigos do tabaco, começou a cair o número de fumadores, tendência que também atingiu os médicos que participaram neste trabalho. Os clínicos que o fizeram com trinta anos viveram tantos anos como os que nunca fumaram.
Os que só deixaram o hábito aos 40 anos, perderam um ano de vida. Deixar o tabaco aos 50 ou 60 anos prolongou a vida dos fumadores em cerca de seis e três anos respectivamente.
DOIS MILHÕES FUMAM EM PORTUGAL
Em Portugal, os fumadores são cerca de dois milhões (cerca de vinte por cento da população). Um valor que está abaixo da média da União Europeia (29 por cento) e que tem vindo a cair nos últimos anos, pois em 1993 o valor era de 36 por cento de portugueses dependentes do tabaco. Segundo Manuel Pais Clemente, presidente do Conselho de Prevenção do Tabagismo, uma séria preocupação é o número de fumadoras continuar a aumentar. Contudo, as autoridades vivem em alerta perante um possível crescimento do tabagismo em Portugal. Isto porque entre os jovens da União Europeia o total de fumadores ocasionais é de cerca de 30 por cento. Na população com idades compreendidas entre os 11 e os 18 anos estão centradas as campanhas de prevenção, nesta faixa etária iniciam-se no consumo de tabaco 85 por cento dos fumadores. Com o objectivo de ajudar os fumadores a abandonarem este hábito, Portugal conta com a linha telefónica ‘SOS – Deixar de Fumar’, cujo número é 808 208 888, e para onde é possível ligar, nos dias úteis, entre as 13h00 e as 21h00.
DIMENSÃO DOS PERIGOS E CUSTOS DO TABACO
PERIGO NO CORAÇÃO
Fumar 20 cigarros por dia provoca em qualquer indivíduo de peso normal o risco de mortalidade superior a um ligeiro excesso de peso. Isto é, se um indivíduo tem peso normal e fuma 20 cigarros diariamente, o risco relativo de doença coronária será elevado para 132 por cento. Quando decide parar de fumar, mesmo que engorde 10 por cento acima do seu peso real, o seu risco baixa de 132 para 87 por cento.
DIMENSÃO SUBAVALIADA
Apenas 18 por cento da população portuguesa associa habitualmente o tabagismo com as doenças cardiovasculares. No entanto, calcula-se que o hábito de fumar tenha sido o responsável por cerca de 2200 mortes por doença cardiovascular em 1995 (5 por cento das mortes por esta causa). E cerca de 800 dos 20007 óbitos que ocorreram em 1995 por tumores malignos (4% dos óbitos por esta causa).
FALTAS AO TRABALHO
A população fumadora é não só a que maior mortalidade apresenta mas também a que maior morbilidade possui. São os que consomem mais cuidados de saúde e os que maior absentismo por doença apresentam. As faltas ao serviço são mais de 25 por cento superiores nos fumadores. Também é certo que mulheres que fumam durante a gravidez têm, mais facilmente e mais frequentemente, filhos de baixo peso.
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