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Correio da Manhã

Portugal
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Funcionários do hospital em guerra com o tabaco

A música também pode ser uma arma anti-tabaco: “Gosto deste hospital, quero vê-lo ser melhor, nesta batalha campal”, foi o refrão de duas canções entoadas ontem por funcionários e doentes dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), que aproveitaram o ‘Dia Nacional do Não Fumador’ para reafirmar o seu apoio ao projecto ‘HUC sem tabaco’, iniciado a 15 de Março.
18 de Novembro de 2006 às 00:00
Os HUC marcaram ontem o Dia Nacional do Não Fumador com canções e rastreios
Os HUC marcaram ontem o Dia Nacional do Não Fumador com canções e rastreios FOTO: Raul Cardoso
Depois do rastreio da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) e doseamento de carbono (CO), os participantes vestiram ‘t-shirts’ de apoio ao projecto, que se insere na rede europeia de Serviços de Saúde sem Tabaco e pretende promover a existência de hospitais e outras instituições de Saúde sem tabaco a nível da União Europeia.
Agostinho Almeida Santos, presidente do Conselho de Administração dos HUC, considera que “todos têm de vestir a camisola, de forma a permitir que os nossos doentes sejam cada vez mais saudáveis. Manifestações colectivas deste género contribuem para a vitória final”.
“Trata-se de uma iniciativa que alerta para a necessidade de fazer estas coisas progressivamente, uma vez que ninguém deixa de fumar de um momento para o outro”, explica João Pedroso de Lima, director clínico dos HUC, enaltecendo “o sacrifício e a vontade de muitos funcionários que deixaram de fumar nos últimos tempos”.
O respeito pela lei, datada de 1982, e pela saúde das pessoas fez com que os HUC iniciassem uma campanha de dinamização do projecto, onde se incluiu, entre outras, a realização de um inquérito sobre os hábitos tabágicos dos trabalhadores dos hospitais e a criação de uma consulta de desabituação tabágica interna. No inquério aos 4952 funcionários – a que responderam 2524 – concluiu-se que 78 por cento eram não fumadores e que destes 15,2 por cento eram ex-fumadores.
RASTREIO REVELA MUITO FUMO
A maioria das pessoas que ontem fez o rastreio ao monóxido de carbono, na estação do Metro da Rotunda, em Lisboa, no âmbito do Dia Nacional do Não Fumador, apresentou níveis elevados desse gás, segundo a pneumologista Cecília Pardal, do Hospital Amadora-Sintra. “Houve uma grande adesão das pessoas ao rastreio e muitas revelam resultados preocupantes porque atingem níveis elevados de monóxido de carbono, um gás igual ao do tubo de escape dos automóveis”, sublinha ao CM aquela médica especialista. Após o teste os fumadores são informados sobre os malefícios do tabaco e as vantagens do abandono do hábito. Cecília Pardal reconhece que existem poucos especialistas e consultas de cessação tabágica para ajudar os fumadores que queiram largar os cigarros. Exemplo disso é António Lopes, fumador há 15 anos. “Queria deixar de fumar, mas não consigo sem ajuda técnica e as consultas num hospital demoram meses.”
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