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Correio da Manhã

Portugal
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Furto de pinhas vale 10 milhões

Os produtores de pinhão estão alarmados com os consecutivos aumentos dos prejuízos causados pelos furtos nos pinhais. Na última campanha foi roubada 15 por cento da produção, tendo as perdas ultrapassado os dez milhões de euros.
4 de Julho de 2010 às 00:30
Militares da GNR têm reforçado patrulhamento nas áreas de pinhal
Militares da GNR têm reforçado patrulhamento nas áreas de pinhal

Sem meios humanos para controlar os pinhais, os produtores vêem a onda de assaltos crescer devido à valorização do produto no mercado: um quilo de pinha rende 70 cêntimos, um quilo de pinhão vale 25 euros. Há casos que num só dia são roubados mil quilos de pinhas. O suficiente para os ladrões lucrarem cerca de 700 euros.

"Em muitos dos casos roubam 500 quilos de manhã e outros tantos à tarde. Isto é difícil de combater porque sabem que nós não conseguimos vigiar a produção", revela, insatisfeito, Hélio Cecílio, produtor em Coruche e presidente da Associação de Industriais de Miolo de Pinhão, em Alcácer do Sal.

Considerada pelos industriais como excepcional, a produção da última campanha, que decorreu entre 15 de Dezembro de 2009 e Abril, poderia ter atingido os cem milhões de quilos de pinha, não fossem os 15 milhões que acabaram nas mãos do ladrões. Num ano normal, a produção de pinha atinge os 80 milhões de quilos e de pinhão 2,3 milhões de quilos. 

SAIBA MAIS

CONTRIBUIÇÃO

O sector da indústria do pinhão contribui com 80 milhões de euros para a riqueza nacional.

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pessoas foram detidas em flagrante pela GNR na última campanha, só no distrito de Évora. Foram registados 14 furtos.

90

por cento da produção de pinhão é exportada para países árabes, mas também para Itália, Canadá, EUA e Bélgica.

MENOS QUEIXAS NA GNR

À GNR chegam cada vez menos queixas de roubos de pinha e pinhão. No comando de Évora foram apurados mais furtos sem queixa (oito) do que registados (seis).

"Se a Justiça funcionasse valia a pena apresentar queixa. Neste momento, sem fiscalização e sem leis que penalizem os ladrões, é uma perda de tempo, porque enquanto formalizamos a queixa andam outra vez a roubar o pinhal", frisa Hélio Cecílio, avisando que "se não houver quem trave a situação, um dia há uma tragédia num pinhal".

Este industrial acrescenta que em muitos casos o juiz solta os arguidos, que depois voltam a roubar. "O Estado tem de perceber que também perde impostos com o produto que é comercializado no mercado paralelo", refere.

Coruche, Vendas Novas, Mora, Montemor-o-Novo e Alcácer do Sal são as zonas do País mais procuradas pelos ladrões de pinha.

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