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Correio da Manhã

Portugal
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FUTEBOL PODE DEIXAR MISSAS ÀS 'MOSCAS'

A 'rivalidade' entre o futebol e a missa dominical está a preocupar os bispos portugueses, que alertam para o facto numa nota pastoral divulgada ontem, em Fátima, no final da assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).
14 de Novembro de 2003 às 00:00
"O desporto não pode absorver de tal forma o homem, que o conduza a dispensar-se das suas responsabilidades religiosas, nomeadamente no que diz respeito à vivência litúrgica do domingo", refere a nota pastoral da CEP por ocasião do Euro'2004, intitulada: "O Desporto ao serviço da construção da pessoa e do encontro dos povos".
Para o presidente da CEP, D. José Policarpo, ambas as actividades são "conciliáveis", desde que "a organização desportiva não se apresente como rival ou substituta da organização religiosa", nem lhe "retire espaço".
O domingo é "o dia sagrado dos cristãos", que comemoram a "ressurreição de Jesus Cristo". A actividade desportiva "não os dispensa de celebrar o domingo como o 'dia do Senhor' e se forem ao jogo de futebol à tarde, então que tenham outro tipo de alegria de manhã", defendeu D. José Policarpo.
As "sombras" que "pairam" sobre o futebol e a sua "comercialização", que torna as equipas "peças de engrenagem de sociedades anónimas desportivas", que se regem pelo "espírito de lucro", são também abordadas na nota pastoral emitida a propósito do Euro'2004.
"O futebol deixou de ser, em muitas circunstâncias, um "jogo", para se tornar uma indústria. Perdeu o seu sentido lúdico e humanizante, para se tornar uma competição de artistas pagos a peso de ouro, que oferecem um espectáculo de alto valor comercial, mas, muitas vezes, despido de alma e de sentimentos", defendem.
Os dirigentes, os atletas e os clubes vivem "sob a pressão de obter sucesso a todo o custo" e assiste-se "com frequência" ao "espectáculo deplorável" dos "discursos agressivos" dirigidos aos adversários, das "guerras psicológicas" destinadas a decidir o jogo fora do campo, das "pressões" sobre os árbitros e das "tentativas de manipulação" da opinião pública.
A nota pastoral da CEP, aprovada na assembleia plenária que terminou ontem, refere-se ainda ao "fenómeno das claques", elemento causador de "mal-estar" e frequentemente ligadas a "episódios de intolerância e de agressividade que desembocam em graves manifestações de violência".
Existem outras situações que exigem uma "urgente reflexão ética", como o uso de substâncias químicas proibidas, o "fabrico de jogadores-ídolos", a "manipulação do futebol e dos clubes para fins políticos e eleitoralistas" e as tentativas de "corromper os agentes desportivos para falsear resultados".
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