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Correio da Manhã

Portugal
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Gang apedreja polícia

Os graffitis nas paredes do bairro de realojamento social da Quinta da Fonte, em Sacavém, concelho de Loures, não são convidativos para a polícia. Desejam-lhe a morte e não lhe mostram medo. Anteontem à noite, um grupo levou as inscrições à prática: agrediu um agente da PSP e protagonizou uma série de actos de vandalismo pelo bairro. Depois incendiou uma viatura e apedrejou polícia e bombeiros, só dispersando quando a PSP disparou para o ar.
19 de Março de 2007 às 00:00
Só o reforço policial e disparos de intimidação para o ar acalmaram os ânimos de um grupo de dezenas de desordeiros
Só o reforço policial e disparos de intimidação para o ar acalmaram os ânimos de um grupo de dezenas de desordeiros FOTO: Pedro Catarino
Dizem alguns moradores, escondidos por trás das janelas das suas casas, que os actos de vandalismo começaram logo pela tarde. “Partiram vidros de carros estacionados e mataram um cão à pedrada”, disse um morador que prefere manter o anonimato.
Ontem, ainda o cadáver do animal jazia no chão, rodeado de pedras. Numa rua mais acima – uma praceta sem saída – um carro queimado indiciava os confrontos ocorridos na noite anterior.
Segundo a PSP, cerca das 23h00 – já o jogo entre Porto e Sporting tinha terminado – um carro-patrulha da PSP que passava no local foi apedrejado por um grupo de pessoas. Na tentativa de identificar os suspeitos, um dos agentes foi agredido a murro. O agressor foi detido e será hoje presente a tribunal.
Como forma de retaliação, minutos depois, o mesmo grupo deitava fogo a uma viatura abandonada, estacionada numa praceta paralela à Avenida José Afonso.
Quando os bombeiros chegaram ao local foram impedidos de aceder ao local onde o carro era consumido pelas chamas. Os bombeiros viram-se obrigados a chamar a PSP, temendo que o carro explodisse.
Quando a PSP regressou ao local foi novamente apedrejada. Para acalmar os ânimos, chamou reforços. O grupo, cada vez mais numeroso, só dispersou quando ouviu vários disparos de intimidação para o ar.
De acordo com fonte oficial da PSP, além da viatura destruída pelas chamas, cinco viaturas ficaram danificadas na sequência dos desacatos, entre as quais um carro dos bombeiros e outro da PSP.
PRESIDENTE DIZ QUE CASOS SÃO RAROS
O bairro Quinta da Fonte, na freguesia da Apelação, concelho de Loures, estava destinado a uma cooperativa de habitação. Mas, com a Expo’98 tornou-se no local ideal para construir um bairro de realojamento social destinado aos moradores que habitavam barracas na zona do agora Parque das Nações, na Quinta da Vitória, em Moscavide, e na Quinta da Serra do Cruzeiro, Prior Velho.
A mistura de moradores “de diferentes hábitos culturais” tornou-se explosiva, admitiu ao CM o presidente da Junta de Freguesia, José Henriques Alves. Apesar de considerar os desacatos ocorridos anteontem como casos “esporádicos”, o autarca admite que há muitas crianças e jovens entregues a si próprios. “Também há pessoas de outros bairros que vêm cá provocar desacatos”, disse.
MUITOS JOVENS SEM OCUPAÇÃO
Os desacatos começaram na rua principal do bairro Quinta da Fonte, a Avenida José Afonso. Foi aqui que um carro-patrulha da PSP foi apedrejado e, na tentativa de identificar o suspeito, um agente foi agredido a murro. O agressor foi detido, mas minutos depois, a PSP era chamada novamente ao local.
Numa travessa paralela à rua principal, os bombeiros tentavam apagar as chamas que destruíam uma viatura abandonada, mas um grupo de dezenas de indivíduos não permitia. Só a presença de elementos da Secção de Intervenção Rápida fez dispersar o grupo, que aproveitou para vandalizar algumas viaturas.
A Quinta da Fonte tem cerca de 2500 habitantes. Uma grande percentagem trabalha. A Câmara Municipal de Loures criou um campo de futebol no bairro e instalou uma Casa da Cultura para promover ocupações para os mais jovens. Mas segundo o presidente da Junta de Freguesia da Apelação, José Alves, é difícil cativar o interesse de alguns jovens. O bairro, apesar de recente, está degradado e é difícil manter os espaços verdes em condições.
OUTROS CASOS
AJUSTE DE CONTAS
Dois homens foram feridos à facada e a tiro de caçadeira, no mês passado depois de se envolverem numa alegada guerra de gangs, que teve como cenário o bairro da Quinta do Mocho, em Sacavém, no concelho de Loures. Os ajustes de contas entre a Quinta do Mocho e a Quinta da Fonte são frequentes.
FUGITIVOS
A Quinta da Fonte, em Loures, foi palco de duros confrontos entre moradores e polícia. Os locais – com o objectivo de protegerem quatro fugitivos – cercaram os elementos da GNR, apedrejaram-nos e chegaram mesmo a disparar alguns tiros na direcção dos militares, em Março do ano passado.
BALEADO
Em Fevereiro do ano passado, um rapaz de 14 anos foi atingido a tiro numa perna no bairro Quinta da Fonte. O disparo partiu de dentro de um carro que a PSP encontrou, minutos depois, na Quinta do Mocho.
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