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Correio da Manhã

Portugal
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Gang da Bela Vista fica mais violento

Arrancar caixas multibanco à força do chão ou da parede, transportando-as para as abrir mais tarde, desencadeia uma série de alarmes ligados à polícia. Por isso, o gang da Bela Vista, Setúbal, utiliza nova estratégia. Mais violenta. Depois de já ter arrecadado acima dos três milhões de euros, a maioria através de simples furtos sem agressões, na sequência das actuais medidas de segurança, o gang aposta agora no sequestro de vigilantes, alguns espancados, para abrirem as caixas ATM no local, com rebarbadoras, e chegarem assim às notas.

17 de Junho de 2009 às 00:30
Gang da Bela Vista fica mais violento
Gang da Bela Vista fica mais violento FOTO: Ilustração de Ricardo Cabral

Foi assim em Telheiras, Lisboa, pouco depois das 00h00 do último domingo. Três elementos do grupo de Setúbal atacaram, com faca e arma de fogo, o ginásio MegaCraque Clube. Um segurança de 55 anos foi agredido, amarrado e fechado na casa de banho, não conseguindo impedir a abertura da caixa multibanco e a retirada do dinheiro.

Este grupo ataca há mais de dois anos e é experiente. Não deixa vestígios incriminatórios e só raramente usava força: no caso de ser apanhado a pena era reduzida. Agora, aposta na violência como forma de chegar ao dinheiro.

Nas últimas duas semanas, foi este o modus operandi usado em três situações. A 9 de Junho, no Montijo, seis elementos forçaram a entrada no edifício do Cais do Seixalinho, da Transtejo. Um segurança foi ameaçado com caçadeira e sequestrado duas horas – o tempo de que precisaram para abrir a caixa ATM e fugir com dinheiro.

Uma semana antes, também no Montijo, mas num restaurante da zona industrial, outro grupo de encapuzados atacou de madrugada. Segurança sequestrado e o mesmo método para abrir o ATM – com uma rebarbadora.

Com alguns dos cabecilhas presos, o grupo ataca em pequenos núcleos. Todos estarão a adoptar métodos violentos face às medidas de segurança com que a Sociedade Interbancária de Serviços equipa as caixas. A investigação a este grupo está entregue à GNR.

PRISÃO DE TRÊS CABECILHAS NÃO TRAVA ATAQUES

‘Quinito’, ‘Titi’, Manuel Tavares. São os três de Setúbal, aguardam julgamento presos e, directa ou indirectamente, têm ligações ao gang que, desde 2007, anda a ‘varrer’ a rede de multibancos (ATM) do País. As suas detenções e de outros considerados cabecilhas do grupo não serviu para extinguir a vaga de ataques às caixas ATM.

Ao invés, assistiu-se ao surgimento de pequenos núcleos de assaltantes, provenientes do bairro da Bela Vista, em Setúbal, ou com ligações ao mesmo, que andam pelo País a tentar recomeçar a vaga deste tipo de crimes. Mas, agora, em vez de se concentrarem só nos furtos de ATM, os gangs andarão até a fazer assaltos à mão armada a estabelecimentos comerciais e portagens da Brisa. Cadastrados e com fácil acesso a armas, tornam difícil o trabalho das polícias.

NOTAS TINTADAS NÃO INTIMIDAM ASSALTANTES

A SIBS garante que está a trabalhar para dotar toda a rede de caixas multibanco (ATM) do País de sistemas de tintagem de notas. No entanto, o plano parece não estar a intimidar os assaltantes.

Só nos primeiros quatro meses de 2009, foram já roubados mais de 18 ATM, o que contabiliza um prejuízo de 800 mil euros. Mesmo quando roubam notas tintadas, os ladrões deslocam-se a máquinas automáticas de vendas de bilhetes, instaladas em terminais de transportes como os da CP. Ao introduzirem uma nota destas numa máquina para comprar um bilhete, recebem em troca dinheiro ‘lavado’.

PORMENORES

SEGURANÇA DA SECURITAS

A Transtejo confirmou ao ‘CM’ o assalto de 9 de Junho, no Cais do Seixalinho. A vítima foi um funcionário da Securitas.

USARAM AUDI FURTADO

A 9 de Junho, os ladrões fugiram em duas viaturas. Uma delas, apurou o CM, é uma carrinha Audi roubada dias antes em Lisboa.

INVESTIGAÇÃO DA GNR

A investigação ao gang do multibanco é coordenada pela Unidade Especial de Combate ao Crime Violento do DIAP de Lisboa e está entregue à GNR.

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