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Correio da Manhã

Portugal
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Gases de gerador matam avó e neta (C/VÍDEO)

Vera Lúcia ia buscar a pequena Filipa a casa dos pais, ontem de manhã, em Louredo, Santa Maria da Feira. Tocou à porta e ninguém respondeu, pelo que, em aflição, partiu a fechadura. Ao entrar, já se deparou com os quatro corpos dos familiares inanimados. A filha, de apenas quatro anos, e a mãe, de 50, perderam a vida.
2 de Março de 2010 às 00:30
Gases de gerador matam avó e neta (C/VÍDEO)
Gases de gerador matam avó e neta (C/VÍDEO) FOTO: Diogo Pinto

O irmão e o pai estão em estado crítico e internados no Hospital de Matosinhos. A causa da tragédia será o monóxido de carbono libertado por um gerador e que foi inalado pelas vítimas.

Perante o desespero da mãe da menina, os médicos do INEM, ao chegarem ao local, já nada puderam fazer e declararam de imediato o óbito da pequena Filipa Reis e da avó, Maria Amélia Jesus Reis. Já Adriano Conceição dos Reis, 54 anos, e o filho Ricardo Reis, 26 anos, estão ambos na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos.

Segundo os familiares das vítimas contaram ao CM, estas compraram o gerador movido a gasolina já no final do dia de anteontem, para fazer face à falta de energia que se abateu sobre aquela localidade do distrito de Aveiro. 'Tinham a carne a estragar na arca frigorífica e como não havia previsões para voltar a ter energia decidiram ir comprar o gerador', contou ontem ao CM a irmã de Adriano, Maria Lurdes Reis.

Outra familiar, Fátima Pinto, assegurou que não era normal os pais deixarem Filipa em casa dos avós. Anteontem o jantar terminou mais tarde do que o normal e acabaram por deixar a menina a dormir na casa dos avós. 'Eu fui comprar a gasolina para pôr a trabalhar o gerador, mas foram só cinco litros, pelo que não deve ter trabalhado muito tempo', disse um cunhado das vítimas, Jerónimo Pinto.

A garagem onde estava colocado o gerador fica mesmo por baixo dos quartos onde dormiam as vítimas mortais. Presume-se que a falta de circulação de ar terá envenenado a família com monóxido de carbono, durante o sono.

'OUVI-A GRITAR MAL ENTROU NA CASA DOS PAIS'

'Ouvi-a gritar mal entrou na casa dos pais. Fomos logo ver o que se passava. Estava muito perturbada e só chamava pela filha. Era a preocupação dela', disse ao CM Fátima Pinto, familiar que foi acudir de imediato Vera Lúcia. Na casa, os bombeiros, segundo o comandante da corporação de Lourosa, José Carlos Pinto, encontraram dois corpos deitados na cama – as vítimas mortais– e os de Adriano e Ricardo prostrados no chão. Ter-se--ão levantado, mas perderam pouco depois os sentidos. Os familiares das vítimas contaram ainda que o gerador fora comprado na loja de electrodomésticos em que Vera Lúcia trabalha. 'O Adriano queria comprá-lo para evitar que a carne da arca se estragasse. Foi ao Intermarché, mas já tinha esgotado'.

TEMPESTADE DEIXOU AS CASAS SEM LUZ

Desde sábado passado, ao meio--dia, que a Freguesia de Louredo, em Santa Maria da Feira, ficou sem luz eléctrica. O temporal que se abateu sobre a região foi responsável pela queda de vários postes de electricidade. Apesar dos vários pedidos de auxílio à EDP, os populares queixam-se de terem sido votados ao esquecimento pela empresa. 'Liguei para lá durante todo o fim-de-semana e diziam que nada podiam fazer. Muita gente ficou com a carne descongelada', disse Aurora, amiga das vítimas. 'Se não fosse a falta de luz nada disto se tinha passado', acrescentaram os familiares. Ontem, às 10h00, a luz regressou.

PORMENORES

HELICÓPTERO

Os médicos do INEM accionaram desde logo o helicóptero para o local do incidente para retirar as duas vítimas que ainda tinham pulsação.

SAUDADES

A pequena Filipa 'vai deixar muitas saudades' na família. A menina gostava muito de brincar e era frequente vê-la a alimentar os animais da horta dos avós.

TRATAMENTO

Adriano e Ricardo fizeram oxigenação, durante duas horas, numa câmara hiperbárica.

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