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Correio da Manhã

Portugal
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Gasolineiras pretendem união com farmácias

A Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC) só aguarda a publicação da lei que define regras para a venda fora das farmácias de medicamentos sem prescrição para tentar um acordo com a Associação Nacional de Farmácias (ANF). Esta, por seu lado, mostra-se receptiva ao ‘namoro’.
3 de Maio de 2005 às 00:00
“Queremos ser aliados de quem tem capacidade para o exercício dessas tarefa”, confirma ao CM António Saleiro, presidente da ANAREC. Apesar de considerar prematuro avançar já com propostas concretas e preferir aguardar pelas condições impostas pela legislação, o dirigente expressa o desejo de entendimento. “Queremos dialogar com a ANF, assim como é importante o diálogo com as outras entidades do sector, para discutir os critérios de venda dos medicamentos. Mas primeiro vamos ver o que a lei estabelece.”
Oficialmente, através do seu porta-voz, a ANF defende que “não existem motivos para que os medicamentos passem a ser dispensados fora das farmácias”, preferindo aguardar “pelos termos em que será apresentada a lei anunciada pelo Governo” para se pronunciar. No entanto, já admitiu a venda de alguns medicamentos fora das farmácias, dando como exemplo os postos de combustíveis.
SENSIBILIDADE
“Sou sensível ao facto de, tendo o País hoje 800 quilómetros de auto-estradas, que caso um condutor tenha uma dor de dentes ou de cabeça, não tem neste momento alternativa para combater esse mal-estar”, referiu João Cordeiro, presidente da ANF, em declarações à TSF. Nesse caso, acrescentou, “é admissível que as bombas de gasolina possam ter alguns medicamentes em dosagens relativamente fracas sem qualquer tipo de problema”.
Alheios a um possível entendimento parecem estar outros dos interessados, os hipermercados, que rejeitam qualquer tipo de acordo com a ANF.
"NÃO FAZ SENTIDO UM ACORDO"
No que diz respeito a um possível acordo com a Associação Nacional de Farmácias (ANF), Vieira e Silva, presidente da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, refere ao CM que não foi contactado e nem pretende iniciar quaisquer contactos com a ANF. Isto por considerar que não faz sentido um acordo. “Tendo em conta o espírito da lei que vai ser criada, que pretende promover a concorrência, segundo o que nos foi dito pelo secretário de Estado da Saúde, um acordo com a detentora do monopólio dos medicamentos significaria desvirtuar esse espírito.” A APED aguarda pela legislação que vai regular a venda de medicamentos sem necessidade de prescrição fora das farmácias. “Só depois de saber quais as condições é que podemos avançar”, afirma Vieira e Silva. Contudo, o dirigente acredita que a venda deste tipo de medicamentos em grandes superfícies pode ser uma realidade ainda durante o corrente ano.
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